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17 de agosto de 2017

Série Ozark - Blog e-Urbanidade

Ozark, série da Netflix, tem comparação imediata com o cultuado Breaking Bad, disponível na mesma plataforma. Isso se deve a semelhança das suas premissas: a história de sujeitos (e suas famílias) comuns imersos no mundo do crime por escolhas questionáveis, mudando totalmente o conceito de mocinho e vilão nas séries televisivas.

O casal interpretado por Jason Bateman e Laura Linney
Ozark é estrelado por Jason Bateman (também assina a direção e produção executiva) e a ótima Laura Linney. A dupla de criadores Bill Dubuque e Mark Williams (II) vem de parcerias anteriores como O Contador, Um Homem de Família e O Juiz.

O protagonista Marty Byrde é um contador detalhista e chama a atenção do chefão do tráfego após uma consulta profissional. Assim, ele se torna a pessoa ideal para ajuda-los a lavar o dinheiro oriundo do crime. Enquanto em Breaking Bad o personagem principal parte nessa empreitada solitariamente, sem o apoio da família, em Ozark isso já é bem diferente. Dessa forma, a mudança dos Byrdes para a cidade Ozark, um local distante e vive do turismo dos seus lagos, parece ser o lugar perfeito para se lavar dinheiro, rapidamente.

A chegada a Ozark não é tão simples. Entrar ali e apenas lavar dinheiro, desapercebidamente, parece não ser tarefa das mais fáceis. Desde traficantes, bandidos, policiais e batedores de carteira começam a cruzar o caminho da família Byrde.


5 motivos para assistir Ozark


1) O seriado é extremamente bem conduzido. O roteiro tem alguns furos e deslizes, mas podem ser relevados diante da capacidade de prender o telespectador. É um daqueles seriados que bebem da fonte de ter boas viradas a cada bloco de 10 ou 15 minutos. Além disso a mistura da trama principal com a relação familiar e do casal Byrde fazem uma costura perfeita da história do homem atormentado entre a vida e a morte.

2) O cuidado estético é impressionante. Criado em tons acinzentados, mesmo no verão, torna o clima de Ozark perturbador e quase inóspito. Mortes inesperadas, cabeças estouradas a tiros e corpos eletrocutados são muito bem produzidos, tornando o suspense mais verossímil e impressionante.

3) Apesar de Jason Baterman ser a grande estrela, é Laura Liney quem dá um show de interpretação. Só para vê-la nas cenas que misturam ironia em suas falas vale assistir Ozark. Sua capacidade de mudar feições e trazer verdade a relação familiar faz a da atriz um dos grandes acertos da série. É dela os melhores momentos.

4) Alguns episódios são extremamente bem conduzidos. O piloto é um dos melhores já visto diante da capacidade de prender à história daquele contador sem graça a partir dos quinze minutos mornos iniciais.  O episódio final, e mais longo, é capaz de absorver a atenção e ter tantas reviravoltas que é quase impossível se ter certeza sobre qualquer coisa antes dos créditos. Agora, o episódio oitavo que retorna dez anos na trama para explicar como chegaram ali é extremamente bem feito e tem um alinhamento próprio de idas e vindas que tornam um dos melhores de toda a temporada.

5) O tom de discurso político e econômico explicito na cena em que o filho mais novo da família Byrde expõe na escola valeria uma reflexão. O crime organizado e o tráfego de drogas é um problema, mas é, antes de mais nada, um dos grandes geradores de renda em vários países. E em momento de tanta notícia de lavagem de dinheiro na política brasileira, nos informada diariamente pelos jornais, Ozark está longe de ser um ficção.

A Netflix anunciou a segunda temporada de Ozark. Sem dúvida, tem tudo para ser mais uma grande série.

Assistam.

26 de julho de 2017

Friends from College - Blog e-Urbanidade

Série Friends From College
disponível no NetFlix
A comédia Friends From College, disponível no NetFlix, embarca no universo de seis amigos de faculdade que se reencontram vinte anos depois, à beira dos quarenta anos. O motor que estrutura a série é amizade dos velhos tempos nesse novo momento, diante dos antigos ressentimentos, quando dois membros da trupe, o casal Lisa (Cobie Smulders) e Ethan (Keegan-Michael Key), vão morar em Nova Iorque.

Após a leitura de Homens Difíceis - Os Bastidores da Séries Revolucionárias é possível compreender a estrutura da série que toma partido da humanização dos seus personagens, fazendo comédia das tragédias humanas. Enquanto, por exemplo, Love foca na inadequação dos seus protagonistas em viver uma história de amor, Friends From College nos faz pensar nas crises dos quarenta anos, tendo como história principal a infidelidade de Ethan com outra integrante do grupo, Sam (Annie Parisse).

Os criadores Nichollar Stoler e Francesca Delbanco (que interpreta a terapeuta de Sam em alguns episódios) acertam na mistura e na proposta. O roteiro do piloto é bem executado e algumas cenas são realmente hilárias. Incomoda o uso de truques extremos para fazer rir: como a mesa de bolo de casamento que cai e o carro que vai parar dentro da piscina. Aliás, não entendi a função cênica desse último fato.

Também parece desnecessária a paixão escondida de Max (Fred Savage) por Ethan para explicar a proximidade entre eles! Por fim, muito mal resolvida a questão do livro de lobisomem de Ethan no último episódio, porém Friends From College acerta em muitas coisas.

Tirando os pequenos deslizes, a série é divertida e vale a pena ser seguida: são apenas 8 episódios de 30 minutos. As gargalhadas aparecem e os dramas são reais. Por exemplo, quando Sam explica ao terapeuta que o problema dos quarenta anos é o de já ter muitas definições e como lhe dar com elas, realmente expressa um sentimento original da idade.

Além da faixa etária dos personagens que pode ser um atrativo, Friens From College pode ser a oportunidade de rever Cobie Smulders (estrela de How I Met Your Mother) em cena. Ela está bem, tem habilidade para as cenas dramáticas e cômicas, obviamente. Aliás, o elenco, como um todo, é regular, inclusive Nick (Nat Faxon - roteirista de Os Descendentes) e Marianne (Jae W. Suh) fazem muito bem o papel de pícaros.

Dois episódios são imperdíveis: a viagem dos amigos pelas vinícolas e quando Max e Ethan precisam varar a noite para discutir sobre um novo livro do escritor.

Não deixem de ver!


22 de julho de 2017

Okja - 4 motivos para assistir - Blog e-Urbanidade

Okja - disponível no NetFlix
Okja é um filme imperdível por, pelo menos, 4 motivos: 1) está disponível apenas na plataforma streaming do NetFlix, assim não é possível assisti-lo no cinema; 2) a mão do diretor Joon-Ho Bong é autoral e única, como a de diretores Woody Allen ou Tim Burton; 3) atores conhecidos de grandes produções (como Jake Gyllenhaal,Paul Dano, Giancarlo Esposito) interpretam personagens bem diferentes e inusitados e, por fim; 4) tem um roteiro inédito e com uma crítica severa e inteligente sobre o capitalismo e suas consequências.

Okja foi apresentado no festival de Cannes de 2017 e causou reboliço, principalmente por trazer uma severa alteração no mercado cinematográfico ao ser lançado exclusivamente no NetFlix. Então, filmes de alta qualidade técnica para chegar ao público não precisam necessariamente serem projetados no cinema. Será que podem ser avaliados em grandes festivais? Essas e outras questões começam a ser discutidas.

O diretor Joon assina a direção e o roteiro, sendo esse em conjunto com Jon Ronson, de linhas cômicas e dramáticas fortes, com estética de anime. Cheio de reviravoltas, é possível não encontrar nenhum minuto de descanso até a metade da película quando o script toma um ar mais crítico. Aí já se está totalmente envolvido com a jornada de Mija (Seo-Hyun) ao salvar seu porco gigante, Okja.

Se atores reclamam que são sempre escalados para os mesmos personagens, a atuação do elenco é um caso à parte. Com certeza encontrar Tilda Swinton fazendo tipos diferentes não é nenhuma surpresa, mas Gyllenhaal é quase irreconhecível em sua atuação. Incluindo vários outros atores e, o melhor, mesmo diante do tom operístico (não sei se existe esse termo!), não caem na simples caricatura.

Quem um dia não criou em casa uma galinha ou porco e a mãe, de repente, avisa que o animal vai ser o almoço de amanhã? Esse é o ponto de partida da história, porém aqui o porco é gigante e é um experimento da empresa Mirando. Não existe a opção de deixá-lo viver. Enquanto tenta resgatar Okja, a garota encontra um grupo radical de resgate à animais. Assim, a ação está garantida.

A cena final, o clímax, é forte, bem escrita e uma verdadeira crítica ao mundo dos abatedouros de animais e do capitalismo. Chega a ser genial! O difícil é não terminar com culpa de ter comido qualquer tipo de carne na última refeição (ou na próxima).

Okja vale por todos esses motivos e sua capacidade de entreter.

Bom filme!

12 de julho de 2017

I Am Michael e Michael Lost and Found - Blog e-Urbanidade

Eu Sou Michael tem
James Franco como estrela
Dois filmes disponíveis no NetFlix merecem atenção. O longa-metragem Eu Sou Michael  (2015 - I am Michael) trata-se de uma ficção narrando a história real de Michael Glatze (James Franco) que deixou a militância glbt, tornando-se um "ex-gay" por causa da religião.  Em seguida, é possível assistir o documentário, com apenas 19 minutos, do reencontro dele com seu ex-namorado (Bennett - no longa interpretado por Zachary Quinto) em Michael Lost and Found. Sugiro ver os dois, sequencialmente.

Dirigido e roteirizado por Justin Kelly, Eu Sou Michael tem o argumento baseado no estranhamento de Michael diante da finitude e em encontrar um espaço para lhe dar com essa questão no universo gay. A jornada do protagonista não deixa de ser uma forma de resolver seu drama, mesmo que alguns possam questiona-la.

O inevitável estranhamento de Eu Sou Michael é o caminho inverso do protagonista. Sendo um militante e difusor da cultura gay, tanto como editor de revista e diretor de um documentário - ah, ainda vive uma relação a três em determinada fase -, em certo momento "volta para o armário", por questões religiosas.

O longa-metragem tem boas qualidades técnicas, as interpretações são comedidas, mas convincentes, e não existe a preocupação em ter uma direção pesada e marcante. Por isso, em pouco mais de noventa minutos têm-se uma boa história para pensar. James Franco também pode ser visto em outro filme intrigante, com tema gay, do mesmo diretor no NetFlix: King Cobra.

Michael Lost and Found
documentário de
Daniel Wilner
Já o documentário Michael Lost and Found (2017 - dirigido por Daniel Wilner) é curto e não chega a se destacar por suas qualidades cinematográficas. Mesmo assim, vale a pena ver em seguida. Após o lançamento do longa em 2015 e diante da repercussão, Bennett, ex-parceiro de Michael, vai encontrá-lo. Grava-se sua ida, a conversa deles na casa do ex-companheiro, com a esposa ao lado, e visitam a igreja dirigida pelo casal. Por incrível que pareça o tom do encontro é leve e de muitas lembranças, risos e lágrimas.

Fica claro no documentário que Michael não foi um herói que encontrou a redenção em sua jornada. De forma alguma isso desmerece ou esvazia o caminho do protagonista, mas pode esclarecer. E a última cena de Michael Lost and Foud, quando os dois ex-parceiros se despedem, é o momento mais impactante e emocionante nessa trajetória.

Os dois filmes devem ser assistidos sem procurar respostas, afinal o universo gay e a religiosidade são ainda caminhos dicotômicos, quase sem interação. É muito comum jovens deixarem igrejas, principalmente protestantes e evangélicas, quando saem do armário. Isso é fato! Sabe-se que alguns movimentos, como a Igreja Cristã Contemporânea e outros grupos, têm procurado essa aproximação. Mas, essa não foi a trilha de Michael.

Assistem, pensem e não procurem receitas fáceis e automáticas, afinal precisamos falar sobre isso!

8 de julho de 2017

Filme holandês Boys disponível no NetFlix - Blog e-Urbanidade

Filme holandês - Boys
O fato é que Boys (Jonges - disponível no Netflix) não é um daqueles filmes contundentes sobre a "descoberta" do interesse homoafetivo de um garoto pelo seu amigo. Mesmo que o estranhamento e a crise pessoal estejam ali, a diretora holandesa Mischa Kamp, nessa produção para a televisão, aposta em um ritmo lento, com paciência e foco nos detalhes para apresentar a trajetória de Sieger (Gijs Blom).

Boys parece beber de duas fontes brasileiras sobre o tema, inclusive com personagens na mesma faixa etária: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho e Beira-Mar. Aliás, a estética do filme holandês lembra muito esse último longa-metragem brasileiro.

Boys é um filme curto, 78 minutos, mas consegue apresentar bem a história dos dois garotos e a relação familiar de Sieger, sem sobressaltos. Este parece ser o ponto alto do longa-metragem: a delicadeza em tratar a homoafetividade na adolescência. Por outro lado, a crítica especializada não gostou muito desse tom suave.

Mesmo assim, o filme tem bons elementos como produção. Os diálogos são bons e o uso de imagens e detalhes de rostos e acontecimentos fazem do roteiro um bom exemplo de uma obra audiovisual. Por exemplo, a cena em que o pai está sentado, arrasado, após o filho mais velho dizer que o odeia é tocante e consegue dizer tudo, sem nenhuma palavra (e até mesmo lágrima).

Vale assistir Boys pela qualidade cinematográfica perceptível nas imagens e na forma de contar a história. Mesmo que o roteiro aposte em um tom delicado, não deixa de fora o drama de um adolescente se perceber atraído por outro amigo. E sem querer fazer spoiler, a última cena me lembrou muito a sequência final de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho.

Está disponível no Netflix e não deixe de ver. 

 

24 de junho de 2017

Other People disponível no NetFlix - Blog e-Urbanidade

Jessse Plemons e Molly Shannon
interpretam mãe e filho de
forma hilária e emocionante
Other People, disponível no NetFlix, conta a história de David (Jesse Plemons), escritor e gay, que volta para Sacramento para cuidar da mãe (Molly Shannon) em seu último ano de vida, diagnosticada com câncer. Essa dramédia de um pouco mais de 90 minutos, além de mostrar o declínio e o drama de uma doença tão avassaladora, tem como principal tema a relação mãe e filho.

Chris Kelly, diretor e roteirista de Other People, assina seu filme de estreia, após carreira de roteirista de televisão, como do show Saturday Night Live. Com 33 anos, espera-se que o rapaz surpreenda ainda muito em próximas produções, diante do seu ótimo script apresentado aqui.

O elenco de suporte é bem escalado, mas os grandes trunfos de Other People são as interpretações de Jesse e Molly em todos os momentos e camadas dos seus respectivos personagens. Aliás, é preciso dizer que Molly, que vem de longa experiência em comédias e no próprio Saturday Night Live, consegue mostrar uma Joanne tão real diante da sua doença que é impossível não se emocionar.

O filme estreou no festival de Sundance de 2016 e os atores Jesse e Molly ganharam o prêmio de melhor ator e atriz no Film Independent Spirit Award em 2017. Também Chris levou como melhor roteiro estreante.

Em tempo, no elenco está também Zach Woods (de Silicon Valley e The Office) em uma participação rápida, interpretando o namorado de David.

Vale a pena colocar na lista dos filmes a serem vistos no NetFlix. A história é mesmo emocionante e é possível dar algumas boas gargalhadas com a família de David e Joanne. O estranhamento e a dificuldade de conviver entre eles após tantos anos fora, tendo como ponto de contato apenas a mãe, torna Other People uma boa escolha para quem se interessa por relações familiares, amores, aceitação e autoaceitação.

11 de junho de 2017

Laerte-se (NetFlix) - documentário sobre diversidade - Blog e-Urbanidade

Igualdade e pluralismo são dois ícones da universalização dos direitos fundamentais das últimas gerações, claramente perceptível nas produções de sua época. Enquanto os anos 80 e 90 muitas criações traziam a questão do direito da mulher (por exemplo, a série brasileira Malu Mulher de 1979 - Globo), os anos 2010 trazem bons shows sobre a questão da diversidade de gênero em produções como Laerte-se (NetFlix) e Transparent (Amazon Prime Video).

Laerte-se na NetFlix

Disponível no NetFlix, Laerte-se,  realizado por Eliane Brum e Lygia Barbosa da Silva, é um olhar delicado e intimista sobre as transformações do cartunista Laerte Coutinho. É notória, principalmente pela mídia, a mudança do artista desde os anos 2005, com a morte do seu filho, em se vestir como mulher.

O que o documentário deixa muito claro é que esse novo reconhecimento de Laerte é, antes de mais nada, uma construção pessoal, sem muitas certezas e cheia descobertas diárias. Não existe na tela um cartunista construído e finalizado, muito pelo contrário, ele escancara alguns medos, traumas e até certezas feitas por caminhos nada lineares.

A documentarista de Laerte-se não tem a preocupação de ser invisível na tela. Sua interação expõe um clima de bate papo com o cartunista.

Além da exposição do caminho e do estranhamento do artista desde sua infância até a sua exposição como travesti aos sessenta anos de idade, nas relações familiares entre pais e filhos, o documentário aponta para temas diversos, como a arte, o momento político (impeachment de Dilma), os movimentos LGBT(x) e sua relação com a mídia.

Pode-se sinalizar para dois pontos altos da produção, como o paralelo feito entre a narrativa documental e os cartoons de Laerte, na transformação do seu personagem Hugo em Muriel em suas tiras. E, por fim, as cenas da nudez de Laerte deixando exposta a questão do que seja ser mulher, ou seja, é uma questão de autorreconhecimento ou está ligada aos órgãos genitais?

Vale a pena assistir para quem busca compreender melhor os caminhos e as dificuldades inerentes na questão de gênero de forma documental e realista.

Durante a semana postarei sobre Transparent, disponível no Brasil pela Amazon Prime Video

16 de abril de 2017

Já Não Me Sinto Em Casa Neste Mundo - Blog e-Urbanidade

Aclamado no Festival de Sundance de 2017 levando o prêmio do Júri, esta produção do Netflix, Já Não Me Sinto Em Casa Neste Mundo, conta a história da enfermeira Ruth (Melaine Lynskey) afetada por todos aqueles pequenos detalhes e desventuradas típicas das cidades. Isso chega ao limite quando sua casa é invadida por um ladrão, leva seu notebook e os talheres da avó.

Naquele espírito de Um Dia de Cão, ela resolve fazer justiça, junto com seu vizinho Tony (Elijah Wood). A partir dai são mostrados acontecimentos cheios de humor negro, valendo desde uma cobra assassina a tiros que amputam a mão de um dos personagens. O diretor Macon Blair parece apontar sobre o quanto o mundo realmente pode ser tosco, o incômodo central da sua heroína.

Já Não Me Sinto... é uma película indie para se envolver com suas grandes viradas e rir da gente mesmo quando, por exemplo, chegamos à fila do mercado com uma caixa e entram na sua frente com uma compra enorme. Também valem pelas interpretações de Melaine e do sempre do garoto Elijah.

Quem sabe você possa gostar e se divirtir!

4 de março de 2017

The Crown - o novelão da Netflix - Blog e-Urbanidade

A série The Crown da Netflix começou o ano muito bem, levou o prêmio de melhor atriz em drama (para Claire Foy que interpreta a rainha Elizabeth II) e melhor série em drama no Globo de Ouro 2017. Também tem levado alguns prêmios o ator John Lithgow pela sua interpretação incrível de Churchill. E mais, o criador e roteirista da série é Peter Morgan que roteirizou o A Rainha que deu um Oscar para atriz a Helen Mirren.

Vamos então a cinco motivos que The Crown deve ser visto:

1) Com grandes interpretações, além das premiadas já ditas na introdução - mesmo achando que Lithgow mereça realmente muito mais prêmios pela sua atuação, o seriado é um primor na construção feita pelos atores. Desde as crianças aos mais velhos, chega a impressionar em vários momentos.

2) Sinceramente, em alguns momentos achei o roteiro meio novelão de Manoel Carlos! Até porque os episódios são construídos a partir dos dramas pessoais da rainha. Mesmo vivendo em um momento de grande eferverscência na história mundial a partir de 1947, o roteiro está focado nas relações familiares e pessoais dos seus personagens: entre o rei Philip e sua esposa, as duas irmãs rainha e princesa e, até mesmo, em um dos melhores episódios quando a mãe-rainha reclama da "vida" que perdera com a morte do rei George VI (aquele gago que também teve sua história contada no cinema em um Discurso do Rei vivido por Colin Firth).

3) A produção é refinadíssima com ótimos figurinos, cenários e locações. Fala-se que é a série mais cara da tevê atualmente. Parece mesmo ser verdade diante das imagens.

4)  A história deve continuar e a gente espera mesmo que isso aconteça. Falam em mais duas temporadas, sendo que a segunda retratará a juventude do rei Charles que está na infância, nessa primeira fase. Aliás, já é apresentado um pai Philip rígido com seu filho. Em certo momento Philip diz que o garoto é sensível demais. Será que vão tirar o moço do armário?

5) O que mais achei interessante ao assistir The Crown é o de acompanhar uma história com personagens reais e, que de alguma forma, está próximo da gente. Elizabeth II ainda está aí com sua família e filhos. E vale sempre fazer buscas na internet para saber o fim de determinado acontecimento ou personagem. É o spoiler histórico!

Espero que gostem!

8 de janeiro de 2017

Please Like Me - seriado australiano no NetFlix - Blog e-Urbanidade

Divulgação
Férias tem destas coisas, tempo livre para zapear os canais e filmes do NetFlix. Foi assim que cheguei em Please Like Me, seriado da tevê australiana que tem um humor refinado, mesmo tocando em assuntos nada leves, como suicídio, rejeição, separação, morte e preconceito.

O primeiro episódio dá logo o traço principal que seguirá pelas três temporadas que estão disponíveis no NetFlix, a história de um rapaz que chega aos vinte um anos e termina o namoro com uma menina que, além reclamar da falta de comunicação do casal, ela diz que Josh (Josh Tomas) é claramamente homossexual. Josh é fruto de uma família de pais separados, o pai é casado com um tailandesa em uma relação longe de ser afetiva e a mãe acaba de cometer suicídio.

Todos esses temas vão sendo apresentados, como a dificuldade de Josh se auto-aceitar, a relação conflituosa com o "namorado" Geoffrey (Wade Briggs), as inseguranças da sua mãe depressiva, a relação entre religião e amor, muito bem apresentada na cena em que tia Peg (Judi Farr) protagoniza na igreja, após o pastor condenar as relações homo-afetivas. Na minha opinião, um dos pontos altos da primeira temporada. Também é preciso falar que tia Peg protagoniza as melhores e mais deliciosas cenas dessa fase, incluindo o último episódio.

Por que vale a pena assistir Please Like Me, além desta introdução inicial? Primeiro, Josh, protagonista, é também o ator, roteirista e diretor do seriado. Assim, o personagem principal homônimo é claramente autobiográfico, dando aquele mesmo sentimento de proximidade entre ficção e realidade presente, por exemplo, tão fortemente em livros com a série A Minha Luta (Minha Luta 1Minha Luta 2). Isso representa aquela máxima que o local sempre é global, além de uma baita coragem do criador.

Outro fator que para mim é fundamental em qualquer seriado: episódios curtos, em torno de 25 minutos. Eu tenho muita preguiça em assistir episódios longos e isso me motiva bastante em seguir em frente, principalmente de ter avançado pelo primeiro capítulo.

Confesso que fiquei um pouco incomodado com a incapacidade do roteiro ser construído sem mergulhar de cara nos conflitos, pois muitas vezes eles são apresentados e tratados de forma rápida. Mas, isso vai sendo desconstruído (e entendido) assim que os episódios vão sendo mostrados. E isso passa ser o ponto alto do roteiro, ou seja, os conflitos são tratados sem linearidade, assim como acontece na vida da gente, afinal muitas vezes a gente tenta fugir deles e vai tocando em frente. E o humor é fundamental para essa forma de ir vivendo e não mergulhando nos conflitos. Com certeza, isso torna o seriado genial. (Digo ainda que me identifiquei com essa "forma" de viver de Josh e sua família).

O seriado foi apresentado na Austrália e Estados Unidos em 2013, primeira temporada, e as sequências seguintes nos anos consecutivos. No Netflix chegou em novembro de 2016 com a apresentação das três temporadas, já com anúncio da quarta nos Estados Unidos.

Please Like Me é um achado para quem gosta de boas histórias, comédia leve, dramas pessoais bem construídos e, de alguma forma, se identificar com os conflitos de se achar estranho em algum momento da vida. Uma mãe depressiva, uma madrasta tailandesa e um filho gay são para lá de um mergulho na diversidade presente no mundo de hoje, e Please deixa claro que não adianta fechar os olhos para isso.

Assistam!




26 de novembro de 2016

Por que Black Mirror está fazendo sucesso? - Blog e-Urbanidade

Black Mirror
Porque trata do impacto da tenologia levada ao extremo, nos deixando ao final sempre incomodados como fatos e atitudes simples do nosso cotidiano e suas possibilidades.

A primeira vez que assisti foi por recomendação de um amigo. Segundo ele, era um seriado não muito conhecido, perdido no mundo Netflix, porém era bastante inteligente e impactante. Assim, vi  o primeiro episódio tratando do sequestro em que o primeiro ministro da Inglaterra tem como salvar a vítima, fazendo sexo com um porco. Quando os créditos subiram, estava perplexo!

Depois, no trabalho, um colega me sugeriu o episódio Urso Branco. Confesso que foi o programa que mais mexeu comigo. Terminei abismado e pensando no processo criativo dos roteiristas. E o pior, imaginei que tudo aquilo poderia ser verossímil em um futuro muito próximo.

Agora chegou a terceira temporada e vi elogios em colunas de jornal e editoriais espalhados. Assisti o primeiro desta nova safra, Nosedive. O roteiro conta sobre um mundo fictício (será?) que todo mundo recebe avaliação de 1 a 5 estrelas. Como o mote do programa é sempre levar seus temas ao extremo, como seria um mundo que se até para alugar um carro você precisasse de uma nota mínima? Assim, até pra xingar alguém seria uma tarefa impossível, criando-se um mundo à parte. Crimes seriam dizer o que pensa.

O título Black Mirror vem do espelho negro dos smartphones e tablets que vem sendo usado e se tornando quase universal nos dias de hoje. Diante de tantas novidades e possibilidades não é difícil sair sem ser mexido pelas histórias. Por isso recomendo a ser assistida em pílulas homeopáticas, pois as histórias são tensas e não palatáveis, porém inteligentíssimas.

Recomendo!

21 de junho de 2016

Sense8 - imperdível - Blog e-Urbanidade

Os amigos mais próximos sabem da minha impaciência para acompanhar seriados e suas longas temporadas na tevê. Me atrevi a assistir algumas, fiquei até o fim em poucas e várias, deixei pelo caminho. Porém, depois de falarem tanto no tal do Sense8, resolvi investir. E só parei quando os últimos créditos do episódio 12 apareceram.

Sense 8 
Sense8 é uma produção da NetFlix que reúne o que há de melhor: dirigida, escrita e produzida pelos irmãos Wachowskis (saga Matrix) e por J. Michael Straczynski (Babylon 5). Partindo do conceito da ressonância límbica (capacidade que os mamíferos têm de entrar em sintonia com as manifestações internas do outro), oito pessoas espalhadas pelo mundo se conectam a partir da morte de Angélica (Daryl Hannah). Diante da fraqueza de cada um, eles vão se tornando fortes a partir da força do outro, por uma conexão desconhecida, revelada aos poucos.

O que é fantástico em todo o texto é a construção profunda dos personagens, com seus pontos fortes e fracos.

Rilley (Tuppence Middleton) é a mocinha, fraca, cheia de conflitos, mas determinada em muitos momentos, começa vivendo na fria e cinzenda Londres e se apaixona por Will.

Will (Brian J. Smith ) é o mocinho, determinado, forte, corajoso, atormentado pelo esteriótipo do pai e mora em Chicago.

Wolfgang (Max Riemelt) é frio e destemido, por isso mora na fria Berlim. No último episódio se revela impressionantemente frio (!!!!!!). Muito interessante o contraponto romântico dos roteiristas, criando uma paixão entre ele e Kala.

Kala (Tina Desai) seu ponto forte é a fé, mas é cientista e vive a crise da possibilidade de um casamento não desejado, cheio de intolerância religiosa  e mora na Índia.

Capheus (Aml Ameen) é o cara esperto e que mora Quênia, quase um brasileiro, trabalha para comprar os remédios da sua mãe, dirigindo pela cidade.

Sun (Doona Bae), coreana, boa de luta, tem tudo para ser a mulher frágil e rejeitada, mas é a grande lutadora e sempre presente nas melhores cenas de ação.

Nomi (Jamie Clayton) é transgênero e mora, claro!, em São Francisco. É interpretado por um ator também transgênero, é hacker e tem uma relação com uma mulher.

Lito (Miguel Ángel Silvestre) é o machão, dramático, por isso seu personagem está na cidade do México. Ator de novela mexicana interpretando personagens viris e vive uma relação com um rapaz sensível.

Neste emaranhado de personagens, com níveis e subníveis dos personagens e histórias, Sense8 tem momentos espetaculares. São lutas, para quem gosta de ação; excelentes textos que vão desde questões afetivas e pessoais a diferenças culturais. Fique de olho, por exemplo, no episódio que há uma grande discussão sobre o amor e relacionamentos quando Lito se separa (maravilhoso!). Para os mais afoitos, fique de olho na cena de sexo grupal entre alguns dos sensates.

Tudo bem que o telespectador tem que ter mente aberta, já que mais um dos trunfos do seriado é da impossibilidade de limites, trazendo à discussão questões como homofobia, intolerância a grupos minoritários (gays, negros, mulheres e religiosos). E isso fica bem perceptível quando a gente ri do diálogo entre Lito e Will ao defender que eles já se conhecem, no último episódio.

A segunda temporada está chegando. Quem não assistiu, não perca tempo, mas recomendo começar a assistir no fim de semana, do contrário poderá ficar preso até alta madrugada e o seu dia seguinte estará comprometido (digo por experiência própria!)

Pra terminar, Sense8 é uma bela oportunidade de fazer o que Capheus explica para Rilley em um dos seus encontros. Como é possível um sujeito tão pobre não ter uma boa cama, mas comprar uma tevê de última tecnologia e assim ele explica: a cama deixa o cara no Quênia e a televisão o leva para longe do Quênia. E como estamos precisando disso nestes dias...


15 de junho de 2016

Magia ao Luar - filme de 2014 de Woody Allen - Blog e-Urbanidade

Cena da gração de Magia ao Luar
com direção de Woody Allen
Mesmo tardiamente, bem tardiamente diria, assisti Magia ao Luar (2014) de Woody Allen. Pela crítica não muito otimista da época fiquei com a sensação de que não valeria mergulhar na história. Mas, diante do mundo perdido do Netflix, resolvi apostar na película, já que estava catalogado como um romance. Romances em dia dos namorados é bem-vindo.

Com certeza, não é um daqueles grandes filmes de Allen. Além de esquemático e muito característico de um roteirista e diretor mais que experiente em cinema, o longa parece seguir regras bem definidas no roteiro. Por isso, para quem curte roteiros e roteirista, penso que assistir Magia ao Luar seja necessário. O diretor-roteirista caminha em fórmulas simples e quase didáticas sobre como escrever um roteiro.

Por outro lado, o filme chega a ser uma boa diversão pela sempre correta interpretação de Colin Firth e simpática Emma Stone. Na história ele é um mágico cético que é desafiado a descobrir o segredo da médium interpretada por Stone. Assim, iniciam as peripécias, ora divertidas e com bons diálogos. A redenção do personagem principal é um dos pontos altos da narrativa.

Vale a pena ver o filme sem muita expectativa, pois são boas as questões apresentadas por Allen. A questão da racionalidade e da crença na magia é um pano de fundo muito interessante, recheado de boas citações e reflexões. Além, de encontrar certo otimismo do diretor, ao defender que para um amor ser de verdade tem que haver um grau de fantasia e magia.

Eu recomendo assistir diante daquela máxima: é bom mesmo um filme ruim de Woody Allen. E também gostei da história, dos personagens e atores, das questões apresentadas e dos diálogos.

Bom filme.

Minha opinião 
:]

6 de janeiro de 2016

Catálogos 1 - Comédias - Blog e-Urbanidade

Se você fica perdido diante das opções de filmes do Netflix ou outros sistemas on-line que alugam longas, seguem alguns que assisti nos últimos dias. Quem sabe possa ajudá-lo.

Filme Enquanto Somos
Jovens
Enquanto Somos Jovens é um dos filmes mais originais e inesperados dos últimos tempos, levando em conta que as películas de "circuitão" normalmente são muito óbvias e sem grandes reflexões. Estrelado por Ben Stiller, Naomi Watts - que estão ótimos! - trata da crise pessoal originada na aproximação de um casal vinte anos mais novos que eles. Além de trazer um novo fôlego a eles, cria-se um bom espaço para discutir a maturidade e sobre um mundo que insiste em nos encaixar em modelos prontos. No Now, da Net, é possível alugar.

Filme
Sob o Mesmo Céu
Para os domingos terminarem mais leves, sugiro Sob o Mesmo Céu, que tem um elenco espetacular, entre eles, Bradley Cooper, Emma Stone, Rachel McAdams, Bill Murray, John Krasinski e Alec Baldwin. Conta o reencontro de Brian (Cooper) e Tracy (Mc Adams) que foram namorados há anos e tiveram a relação muito mal acabada. Ela, casada com dois filhos, e ele, recém-apaixonado pela capitã Ng (Stone), buscam uma forma de conviver e, quem sabe, restaurar as mágoas antigas. Na minha opinião, o filme é bem confuso na história do lançamento do satélite, motivo que leva Brian ao Havaí, onde tudo acontece. Nem por isso, deixa de ser um filme simpático, muito bem defendido pelos atores. A típica comédia romântica americana. Está disponível no Netflix.

Amor e Turbulência
Amor e Turbulência é uma comédia romântica francesa e, por incrível que pareça, se lambuza em clichês, o que é meio decepcionante. Porém, os filmes franceses sempre são interessantes, tanto pelas interpretações quanto pela realização. Os personagens de Ludivine Sagnier e Nicolas Bedos, também ex-namorados, se reencontram num voo de volta a Paris, saindo de NY. Lado a lado, começam a dar os seus pontos de vistas sobre as situações que os levaram ao fim dramático há três anos.  O roteiro é interessante ao expor acontecimentos similares sobre o olhar de cada personagem. Mas, em alguns momentos, chatinho, com uma certa "barriga" no meio. Mas traz uma boa reflexão sobre como tratamos nossos medos diante das relações sentimentais que, muitas vezes, são até mesmo de auto-boicote. Está disponível no Netflix e pode ser uma boa.

1 de dezembro de 2015

Luc Besson em duas produções fora da curva - Blog e-Urbanidade

Angel - A
Neste último fim de semana assisti dois filmes do diretor Luc Besson em trabalhos bem diferentes das suas tradicionais películas de ação: Além da Liberdade e Angel-A. Recomendo a assistir os dois e vou detalhá-los mais aqui embaixo, pois é difícil encontrar uma linha que revele o mesmo Luc em duas produções tão distintas. Mas, é possível perceber a estética de um diretor minucioso com boas fotografias, belíssimas imagens nos seus planos abertos.

Angel-A é de 2005 e é apresentado em preto e branco. Conta a história de André (Jamel Debbouze) que depois de ser perseguido por vários gangsters, decide se suicidar, encontrando, nesse momento, uma figura inusitada ao seu lado. Conta uma intricada história de amor, com um texto ora óbvio ora bom para reflexão. A produção é muito bem feita, principalmente quando usa locações de pontos turísticos da cidade (e, provavelmente, com boa pós-produção para deixar a cidade sempre vazia). O roteiro tem uma barriga, apesar de curto, e é idealizador demais (minha opinião!). Mas, vale assistir.

Além da Liberdade
Além da Liberdade conta a história da ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1991, Aung San Suu Kyi (Michelle Yeoh), sua luta pela democratização da Birmânia (que até antes deste filme não sabia onde ficava no mapa). A interpretação de Michelle vale cada segundo do longa-metragem, porém me parece que David Thewlis está um pouco equivocado no seu personagem ou construção. Eu gostei do filme e, sinceramente, me tocou muito, mas não posso deixar de dizer que é uma produção esquemática, roteiro raso e cheio de clichês. Por outro lado, é uma boa oportunidade para conhecer a história daquele país e dessa mulher. Recomendo muito a assistir, porém para dias em que não estiver muito sensível.

5 de outubro de 2015

C.O.G - o filme - Blog e-Urbanidade

C.O.G. com Jonatha Groff
Quem, em algum momento, não teve vontade de deixar tudo para trás e começar tudo de novo? E se for igual a mim, que tem hora que está cansado até mesmo de pensar-pensar-pensar, a proposta de Samuel em C.O.G cria identificação automática. A decisão de ir morar numa cidade pequena, com pessoas simples e ganhando a vida profissionalmente sem grandes elaborações cognitivas é a proposta do roteirista e diretor Kyle Patrick Alvarez.

A partir deste ponto e da chegada de Samuel (vivido pelo fofo Jonathan Groff, o mesmo de Looking - HBO) em uma fazenda de colheita de maçãs passamos a ser apresentados a um grupo de situações e personagens sempre marcados pela ruptura.

A fauna e a flora de Alvarez nos fazem pensar numa forma pessimista sobre a vida, afinal estamos sempre fugindo e partindo e, por outro lado, tem gente fugindo (e partindo) da gente. E daí, os motivos apresentados são os mais bem desenvolvidos no roteiro enxuto de media-filme. Vai do amor, sexo à religião.

O filme foi selecionado no festival Sundance de 2013 e está disponível no Netflix. É uma adaptação de um conto de David Sedaris. É um daqueles filmes que quando entram os créditos você fica pedindo mais alguns minutos, com alguma explicação. Mas, desista! Vá pensar um pouco e descubra todas as qualidades desde filme, com menos de 1h30, mas cheio de verdades sobre as rupturas tão necessárias para a nossa sobrevivência, fuga e descoberta de nós mesmos.

Vale pelo filme, pelo elenco e roteiro. E depois de assistir, escreve algo me contando...

16 de setembro de 2015

Precisamos Falar sobre Kevin - filme e livro - Blog e-Urbanidade

Os vários Kevins de
Precisamos Falar sobre Kevin
Quando foi lançado o filme Precisamos Falar sobre Kevin no Brasil e tendo no elenco a sempre competente Tilda Swinton não consegui ir. Mais uma falha na minha carreira falida de cinéfilo. Pois bem, há alguns meses chegou nas minhas mãos o livro homônimo do autor Lionel Shriver lançado em 2003 e que inspirou a montagem cinematográfica.

Fiquei impressionado com a qualidade literária de Lionel ao fazer toda a sua obra a partir de cartas de Eva (interpretado por Tilda no cinema) para o marido Franklin (John C. Reilly, no cinema). A impressionante busca da mulher em encontrar os motivos que fizeram seu filho a matar várias pessoas, fazendo uma clara analogia ao massacre de Columbine (e outros...), é construída a partir da relação mãe e filho e das culpas pessoais. Sim, um possível motivo!

Por outro lado, após a leitura fiquei pensando em como seria o roteiro cinematográfico sem perder as nuances psicológicas daquela mulher atormentada. Graças a Santa Netflix mergulhei nesta viagem, com uma apresentação estética centrada no (sangue) vermelho exposto e a todo momento manchando os caminhos da mulher-mãe. Muitas vezes incomoda estar na pele de Eva.

Tilda merecia concorrer ao Oscar, mas não chegou lá. Os críticos dizem que por causa do incômodo que tais histórias ainda causam na sociedade norte-americana. Mas, o filme (nem o livro) não pretende(m) ser conclusivo(s), até porque não exista mesmo algo a explicar.

Em minha opinião o filme aposta mais num complexo de Édipo de Kevin, o livro, por outro lado, na culpa de uma mãe por não ter desejado tanto aquela criança. Mesmo assim, as duas visões são contundentes, muito bem defendidas e vale cada página ou minuto.

O filme acerta em várias coisas, como já disse, na interpretação de Tilda e na de Ezra Miller, que faz um Kevin enigmático e cruel, mas humano. O roteiro é daqueles de poucas palavras, duro e seco, como merece o tema.

Então recomendo o livro,para quem assistiu o filme e vice-versa. Uma dos bons achados no mundo perdido do Netflix e das livrarias.


4 de agosto de 2015

Filmes para chorar e pensar retratando duas fases distintas da vida - Blog e-Urbanidade

A dica é para quem fica perdido no mundo do Netflix sem saber o que escolher. Assisti dois filmes muito bacanas e gostaria de recomendar aqui.

As Vantagens de Ser Invisível foi lançado em 2012 e não é uma simples história de adolescentes, apesar de estar centrada nas mudanças de Charlie quando entra no Ensino Médio. O elenco é de tirar o chapéu, incluindo a bonitinha Emma Watson, saindo do limbo de Harry Porter. Até mesmo nas participações especiais, a produção não economiza na qualidade dos atores. Vale pela direção, roteiro adaptado pelo próprio autor do livro e as músicas marcantes para as mais variadas cenas. Destaque à música final: Heroes de David Bownie. Assistam!

O Quarteto
O Quarteto, por outro lado, conta a história de um grupo de velhos que moram em uma casa apenas para músicos. Estrelas da música, hoje, esquecidos, o filme retrata a velhice, solidão e a vaidade, que infelizmente nos atrapalha profissional e amorosamente. O elenco é estrelado por Maggie Smith (mais uma estrela do Harry Porter, que interessante, não?!). A bem feita fotografia é ajudada por pelas imagens do interior da Inglaterra e a direção de Dustin Hoffman é correta. Não é um filme pra chorar, mas para rir, às vezes, e pensar, pensar, pensar. Ah, também vale assistir para curtir boas atuações com muita música boa.

16 de julho de 2015

Grace e Frankie - Blog e-Urbanidade

Grace e Frankie
Existem receitas que inevitavelmente darão certo, correto? Nem sempre isso é verdade, basta observarmos a novela que está no ar, Babilônia. Introdução nada a ver, para falar da bem sucedida união das roteiristas Marta Kauffman  de Friends e Howard J. Morris  de Home Improvement e das duas atrizes Jane Fonda e Murphy Brown.

O seriado Grace e Frankie visto no Netflix voltará em 2016 em segunda temporada, unindo elenco afinado, diálogos inteligentes e afiados. O programa ainda recebe dois atores de peso: Sam Waterston e Martin Sheen.

A história diverte já na sinopse, pois trata-se de dois casais juntos há mais de quarenta anos e de repente os maridos assumem a sua relação homoafetiva de vinte anos. Assim, começam jantares e a preparação do casamento dos dois, enquanto as ex-esposas amargam a rejeição, com ótimos momentos.

O tom de comédia, às vezes, avança num tom melodramático, mas salvam os textos e a busca das mulheres setentonas pela reconstrução das suas próprias histórias fora do casamento fracassado. Fato que as criadoras tomam partido o tempo todo, diante das imagens de Fonda e Brown.

Sheen e Waterston também estrelam bons momentos com a sua história de amor insólita, mas verossímil e bonita. Não espere uma teledramaturgia previsível e esquemática.

Preparem-se, divirtam-se e vale o programa. Porém, é necessário ter Netflix.

27 de abril de 2015

Grandes Olhos - a tentativa de Tim Burton não ser Tim Burton - Blog e-Urbanidade

Grandes Olhos
Grandes Olhos teria tudo para ser um ótimo filme. Dirigido pelo interessantíssimo Tim Burton (Alice no País das Maravilhas, A Fantástica Fábrica de Chocolate e Edward Mãos de Tesoura), estrelado por Amy Adams e Christoph Waltz, com uma história, no mínimo, curiosa, na verdade, patina, patina e não deixa de ser apenas uma biografia com cara de telefilme.

Nos anos 50 fizeram sucessos as imagens de crianças, um tanto depressivas, com grandes olhos, em situações diversas. Além, de obras de artes, a sua popularização com encartes ou diversos tipos de publicações enriqueceram os criadores. Sim, criadores porque as obras foram assinadas por Keane, marido de Margaret, a verdadeira autora que termina processando o esposo por isso.

Se você imagina que irá ver um daqueles típicos filmes de Burton, esqueça. Nada disso. A estética do diretor está totalmente fora desta montagem. E o que poderia ser interessante, acaba sendo um filme burocrático, sem grandes surpresas ou cenas.

Os atores estão bem, apesar de também previsíveis e criarem seus personagens em perfis já vistos por eles em outras películas. O roteiro de Grandes Olhos apresenta de forma sequencial, às vezes até didática, os fatos que envolveram os Keane`s.

Vale a pena assistir? Sim, para conhecer a história e por Burton, na sua busca de fugir do seu "padrão" estético. No mais, é um filme sem grandes atrativos.