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25 de junho de 2017

A Glória e A Graça (disponível no NOW) - Blog e-Urbanidade

A Glória e A Graça - filme que retrata o retorno
da irmã travesti vivida por Carolina Ferraz
A Glória e A Graça conta a história de duas irmãs em que uma delas descobre estar próxima da morte, acometida de um aneurisma. Então, precisa ter alguém para cuidar dos seus filhos e sua única opção parece ser Luiz Carlos, agora Glória (Carolina Ferraz). Esse bem armado argumento na verdade decepciona e acaba sendo um raso e enviesado olhar sobre a questão do transgênero no Brasil.

Para começar o roteiro de Lusa Silvestre (O Roubo da Taça, E Aí... Comeu e Estômago) e Mikael de Albuquerque (Real - O Plano por Trás da História) é um aglomerado de atrapalhadas e falas nada aprofundadas dos personagens. Desde a cena rápida em que Graça (Sandra Corveloni) descobre em uma só tacada que tem um aneurisma e só tem o irmão para dar conta disso à cena final, não dá para ficar sem dar algumas risadas diante das escolhas do script.

Também os diálogos incomodam em A Glória e A Graça. Percebe-se que Sandra consegue dar uma melhor embocadura às suas falas, mas dá pena nas crianças e adolescentes com seus diálogos de adulto. O ápice desse desconforto está na cena da biblioteca em que Papoula (Sofia Marques) recebe a cantada de um amigo adolescente.

A direção de Flávio R. Tambellini (Vidas Partidas, O Concurso e Carandiru) também é um pouco confusa, principalmente na sua escolha estética em usar a saturação de cores. Na cena do primeiro encontro das irmãs, no parque. é marcada por uma nuvem estranha sobre elas que nada acrescenta ao roteiro.

Enquanto isso o roteiro de A Glória e A Graça aposta numa visão quase de desserviço ao drama dos transgêneros. A vida pregressa da travesti Glória na Europa e sendo atualmente dona do restaurante parece colocar no esforço próprio a única e necessária forma de se tornar uma pessoa bem sucedida. Inclusive quando aparece Lea T, em uma participação que espera-se que dê uma guinada no longa-metragem, mostra que a questão da prostituição seja apenas uma escolha e não uma necessidade diante das reais dificuldades de se inserir no mundo do trabalho, por exemplo.

Se as irmãs se reúnem apenas porque Graça não tinha com quem deixar os filhos após sua morte, o conflito da relação entre elas e sua família se resume em lembranças da infância, sem revelar traumas, medos e inseguranças, que, sem dúvida, são muitos para um travesti. E chega-se ao cúmulo quando Glória diz que roubava as calcinhas da irmã e, em gargalhadas, promete comprar uma coleção francesa para pagá-la.

Por fim, a escalação de Carolina Ferraz para interpretar Glória. Com certeza um risco assumido pela atriz, porém me senti assistindo àqueles filmes e peças de teatro que usavam o blackface para representar os negros. Carolina tenta e quando a projeção inicia não dá para deixar de torcer pela atriz. Mas, diante de tudo já exposto aqui, percebe-se que não é isso que acontece.

O filme está disponível no Now, recomendo desde que a proposta seja fazer uma análise em como a cultura de massa brasileira (sem nenhum juízo de valor!) se propõe a se apropriar do tema, porém veja antes (ou depois) algumas produções comentadas aqui no blog: Laerte-se, Transparent e São Paulo Hifi (que comentarei em breve).

Boa sorte!

19 de junho de 2017

Capitão Fantástico - Blog e-Urbanidade

Capitão Fantástico (Telecine- NOW) estreiou no final de 2016 e Viggo Mortensen já foi indicado ao Oscar 2017 na categoria de Melhor Ator. O filme parte  da história de uma família isolada em uma fazenda, praticamente sem interação com o mundo exterior. Os seis filhos de Ben  (Viggo) têm aulas e treinamento diário tornando-as crianças extremamente preparadas cognitiva e fisicamente.

Assim que a projeção de Capitão Fantástico se inicia o expectador passa a ser confrontado sobre os pontos de vistas positivos e negativos da empreitada do protagonista. E tudo se desmorona quando sua esposa, cúmplice no projeto, falece. A ida desta família à cidade espanta e, ao mesmo, levam à tona os conflitos dos filhos e dessa escolha.

O roteiro e direção de Matt Ross (ator que estrela Silicon Valley) têm grandes imagens, bonitas tomadas e aposta na excentricidade da família diante do mundo externo. Porém, o grande trunfo do roteiro está em apresentar uma crítica ao mundo contemporâneo e suas nuances, diante do mundo ideal, defendido por grande teóricos. Assim, essas importantes reflexões podem ser boas críticas ao mundo atual, mas não conseguem, por outro lado, dar conta de suas contradições.

Outro ponto de destaque do roteiro de Capitão Fantástico é a capacidade de apresentar seus personagens em diferentes camadas, não caindo em uma construção fácil e maquiavélica. Dessa forma, as interpretações de todo o elenco é muito eficiente. Mesmo que Viggo tenha levado a indicação ao Oscar e esteja muito bem, Casey Affleck  - Manchester à Beira Mar - não levou a melhor injustamente.

Capitão Fantástico é um achado diante de tantas verdades definitivas que as pessoas vivem soltando por aí. Necessário para quem leu grande pensadores, acredita nas suas críticas e talvez não tenha clareza nas suas limitações. Por outro lado, importante para aqueles que apostam no mundo capitalista, pois a grande verdade é que ninguém triunfou!

10 de maio de 2017

Chega ao cinema o novo filme de Ira Sachs: Melhores Amigos - Blog e-Urbanidade

Melhores Amigos (Little Man) do diretor Ira Sachs, roteirista e diretor de O Amor é Estranho (disponível no Now - Net) e Deixe a Luz Acessa (disponível no Netflix), acerta a mão em um filme curto, simples, com uma história potente e sem maniqueísmo na construção dos seus personagens. Sua fórmula em construir histórias que saímos do cinema sem saber de que lado ficar, parece mais refinada nessa produção.

Ao final da projeção de Melhores Amigos fiquei pensando naquelas máximas de uma boa história cinematográfica, tais como a jornada do herói e o arco dramático. Encontrar esses elementos não parece tarefa fácil, mas, sem dúvida, isso está lá. Dessa vez Sachs conta a história de dois adolescentes - interpretados por Theo Taplitz e Michael Barbieri - que ficam muito próximos e por causa de rixas familiares tem a relação envolvida.

Com certeza todo mundo deva ter um amigo de infância ou adolescência que a vida tenha distanciado, certo? E talvez esse seja o ponto de contato imediatamente feito com o expectador. É mostrado, ainda, como as relações entre os pais podem e influenciam nas amizades dos seus filhos . Assim, os atores Greg Kinnear e a chilena Paulina Garcia crescem na história e conseguem humanizar seus personagens e pontos de vista.

Não vá esperando um filme com grandes reviravoltas, interpretações memoráveis e grande clímax no final. Melhores Amigos é para assistir buscando entender a complexidade humana, as disputas de poder e o desenvolvimento de relações afetivas e, sutilmente, as homeafetivas. Tudo isso de forma leve, sensível e sem truques emocionais.

Vale a pena ver, mesmo achando que O Amor é Estranho seja um filme melhor construído.

27 de março de 2017

Eu, Daniel Blake - um filme para entender a crueldade da burocracia - Blog e-Urbanidade

I, Daniel Blake
Como sofrem os ingleses das classes desfavorecidas, hem? Lastimável perceber que naquele país existe uma burocracia infernal caso você precise acessar o governo para receber algum benefício! Burocracia burra e bárbara! No Brasil não é nada assim, certo?

Eu. Daniel Blake conta a história desse sujeito que é um trabalhador ativo impedido a continuar a trabalhar após um ataque do coração. Assim, começam suas andanças e longas esperas em ligações telefônicas diante das exigências do sistema inglês para continuar a receber o benefício. Lá pelas tantas ele conhece Katie, outra vítima da burocracia dos benefícios governamentais. 

O diretor Ken Loach não tem grandes preocupações estéticas com o filme. Sem cortes e movimentos de câmeras espetaculares, a história é contada de forma realista e seca. Nem mesmo a sonoplastia tem a preocupação de dar ritmo as cenas. O roteiro e o poder desse escândalo são os grandes trunfos da película. 

O filme que concorreu ao Oscar de Melhor Filme em 2017 é, na verdade, uma grande crítica ao mundo moderno e sua crueldade, principalmente, com os menos favorecidos ou, porque não dizer, com qualquer pessoa que precise parar de trabalhar por problemas de saúde. O capitalismo pode ser tirano! Essa é a grande verdade mostrada por Daniel Blake. 

Na minha opinião é um filme que deve ser visto por todos que trabalham com gestão de pessoas, em departamentos pessoais ou recursos humanos. Ah!, e sem dúvida por funcionários públicos. É possível nos tornarmos frios com a desgraça alheia quando apenas servimos ao sistema vigente. Muitos blakes estão por ai e pode ser qualquer um de nós, a qualquer momento.

Vejam e percebam o quanto nosso mundo anda cruel!

Segue o trailer de Eu, Daniel Blake

22 de março de 2017

Um Limite Entre Nós - Blog e-Urbanidade

Um Limite entre Nós
Viola Davis em seu grande momento
E a Viola, hem? E o Denzel, minha gente? Não posso deixar de assegurar que saí perplexo da sessão de Um Limite Entre Nós. Filme nem tão palatável, pois trata-se de uma adaptação do teatro para o cinema, é uma história que parece falar de preconceito e direitos civis dos negros, mas quando os créditos sobem percebemos que ali estão nossas famílias, relações e os tais limites entre nós.

Falar das boas interpretações é chover no molhado depois de Viola Davis ter levado merecidamente o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante no Oscar. Denzel Whashington faz um personagem que vai se transformando no decorrer da película, de fanfarrão ao pai de muitos de nós.

Sim, Troy Maxon (Denzel) é aquele pai que quando o filho lhe pergunta "você gosta de mim?", ele responde que isso não faz sentido, pois cabe a ele apenas a colocar comida na mesa. Visão muito comum entre tantos pais por aí, porém, ao mesmo tempo, como culpar aquele sujeito, simples, analfabeto e limitado a ter outra visão de mundo. Resta apenas perdoar?

Um Limite Entre Nós é denso e muito verborrágico. Fala-se muito e a direção não tem como objetivo sair do formato teatral como já visto em, por exemplo, Dogville. Não tenho muita dúvida que Denzel, o diretor, não tenha procurado escapar disso.

Como disse, saí extremamente tocado pelo filme e gosto também de produções que evitam explorar o sentimento por meio de música, por isso até o silêncio emociona, mas sem apelos. Contundentes as falas de Troy (lembrei-me muito do meu pai!) e fascinante o mundo construído por Rose (Viola). Afinal, como diz o filme, existem pessoas que fazem cercas para separar e outras, para juntar.

Mesmo sendo a coadjuvante, a jornada de Rose em juntar aquelas pessoas dentro da cerca parece-me a mais tocante e heroica. Por isso, Um Limite Entre Nós precisa ser visto com maturidade, pois a questão racial ali é a menor delas, afinal dentro daquelas cercas (para juntar ou expulsar) estão todas as famílias. E por incrível que pareça, depois de alguns anos é que vamos percebendo que aquelas pessoas que nos cercaram são humanas e, talvez, seja preciso exercer o perdão em alguns momentos.

Bom filme!

22 de fevereiro de 2017

Lion, Uma Jornada para Casa - Blog e-Urbanidade

Lion, Uma Jornada Para Casa
E agora vamos falar de Lion, Uma Jornada Para Casa, que conta a história do indiano Saroo que um dia se perde na estação de trem, enquanto aguarda seu irmão. Abandonado, vai parar em um abrigo de crianças, onde é adotado por uma família australiana.

Mesmo tentando reconstruir sua vida, Sarro cresce atormentado pela falta da família biológica e, principalmente, preocupado com seu irmão, aquele deixado na estação. Assim, a jornada do personagem é a de reencontrar sua família e dar um novo sentido para sua vida.

Segundo longa-metragem do diretor Garth Davis, o roteiro é linear, mas chega a emocionar.

Primeiro motivo: as interpretações são bem defendidas, mas o que torna Lion imperdível é o garoto Sunny Pawar que vive Saroo na primeira fase. Mas, Dav Patel é quem concorre ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante esse ano. Não deve levar!

Segundo motivo: eu não curto filmes com grandes cenas, ou seja, aquelas de falas impactantes, pra mim sempre é inverossímil, mas, mesmo um pouco didática, é emocionante o encontro entre Nicole Kidman (no papel da mãe adotiva, Sue) e Dav (Saroo) ao discutirem sobre a adoção como um presente e não um peso. Vale a conscientização!

Lion não está em nenhuma das minhas listas de filmes preferidos ao Oscar deste ano, mas é uma película regular, com uma mensagem bonita, atores comportados, boas imagens (mesmo que pareça Cinema Novo, às vezes). É uma boa opção para um dia da semana que esteja cansado do escritório e quer ter uma desculpa para comer junk food  na praça de alimentação de algum shopping antes ou depois de assistir.

Bom filme.

19 de fevereiro de 2017

Estrelas Além do Tempo - Blog e-Urbanidade

Estrelas Além do Tempo
Aproveitei o fim de semana para prosseguir na maratona de assistir os filmes que concorrem ao Oscar 2017, assim vi dois que são inspirados em fatos reais, Lion e Estrelas Além do Tempo, e vou começar por esse último.

A escolha é quase óbvia por contar a história de três matemáticas negras ao colaborar com a Nasa ao enviar seu primeiro foguete ao espaço. Assim, a história é cheia de boas referências para nós matemáticos, tais como o nascimento da Matemática Moderna, a criação do primeiro computador IBM, a linguagem Fortran - que eu aprendi na minha graduação - e muita geometria analítica.

Na verdade tudo isso pode ser desprezado para gostar de Estrelas Além do Tempo. Com uma história de superação, principalmente dos direitos civis dos negros em plena Guerra Fria, a película usa de todos elementos de um roteiro melodramático e perfeitos para um domingo à tarde.

Mesmo sendo um filme muito gostoso de ver, concorrer ao Oscar de Melhor filme é muito, na minha opinião. Está lá por reunir bom elenco, roteiro regular e a busca da academia em valorizar filmes com negros depois de toda a polêmica do prêmio em 2016. Nem como melhor roteiro adaptado deve levar. Também Octavia Spencer concorre a Melhor Atriz Coadjuvante e não merece tanto, ela faz o seu personagem de sempre.

Mas recomendo, muito!, até pelo estranhamento que temos ao encontrar as questões raciais no universo americano e, quem sabe, as pessoas possam entender que o mais importante na sociedade atual nem sempre é de concordar com isso ou aquilo, mas em garantir direitos civis e iguais para todos.

Quando a legenda subiu não pude deixar de dizer que adorei o filme. Mesmo retratando um drama racial tão forte, momentos cômicos dão certa leveza e um tom nonsense para, por exemplo, os banheiros separados para brancos e negros. Também vale pelas boas cenas da cantora Janelle Monáe e a boa interpretação de Taraji P. Henson como protagonista.

Para finalizar, o diretor Theodore Melfi mesmo não tendo grandes filmes na sua filmografia, assina o roteiro de um filme que assisti o trailer e achei bem interessante - Despedida em Grande Estilo - que reuni nada mais nada menos que Morgan Freeman, Michael Caine, Alan Arkin. Entra no circuito brasileiro em abril.

Não deixem de ver Estrelas Além do Tempo.

25 de janeiro de 2017

La La Land - Blog e-Urbanidade

Filme La La Land
La La Land é um bom musical? É um bom musical. Tem bons atores e direção? Tem bons atores e direção. É bonitinho? É bonitinho. Tem uma história original e até surpreende? Tem, sim. Mas, te empolgou? Não. Saí do cinema bem decepcionado diante de tantos elogios lido e ouvido.  E nem vamos questionar as quatorze indicações ao Oscar 2017, pois já detestei muitos filmes que levaram muitas e muitas estatuetas.

O filme conta a história de um casal muito bem interpretado por Ryan Gosling e Emma Stone em torno da busca da felicidade no amor e na carreira. Contada por meio das quatro estações e termina no inverno, portanto o final pode não ser tão animado.

Eu gosto de musicais em cinema, por exemplo, Moulin Rouge continuará sendo meu preferido. Mas, La La Land tem seus pontos positivos. Além do elenco já falado, da direção do ótimo Damien Chazelle que já tinha gostado bastante em Whiplash, o roteiro é inovador, com algumas sequências muito bem construídas. Também o roteiro brinca com alguns clichês dos filmes musicais, sempre procurando inovar na linguagem.

Mesmo que alguns tenham já se desesperado no plano-sequência de dez minutos na abertura do filme, sinceramente considerei um dos pontos altos do longa. inclusive pelas características técnicas para realizá-lo. Também é muito bem feita a reconstrução da história do casal quase ao final, quando se reencontram. Ajuda a aumentar o suspense sobre o "the end".

O filme não é feito apenas de canções, isso também deve ser levado em conta pra quem detesta musicais, pois há uma boa mistura de sequências de falas e canções. Inclusive, em alguns momentos, entram em cena apenas música instrumental.

Como só elogiei, deve estar se perguntando se não gostei mesmo. Sim, como comecei, é um bom filme. Mas nada demais. Reconheço que Emma e Ryan estão ótimos, a direção impecável. Apenas não torço mais pelo mocinho, pois desde que vi Manchester à Beira-Mar (leia a resenha logo abaixo deste post) aposto em Casey Affleck.

Talvez vale a pena pegar alguma sessão para ter a sua própria opinião e não ficar tão fora do papo em alguma mesa de bar, pois depois de quatorze indicações ao Oscar 2017, sem dúvida, vão falar muito de La La Land nos próximos meses.

Minha Opinião
:]

22 de janeiro de 2017

Manchester à Beira-Mar - Blog e-Urbanidade

Manchester à Beira-Mar chegou a mim após levar o Globo de Ouro de Melhor Ator Dramático, ouvindo Rubens Ewald Filho que Casey Affleck é um péssimo ator e, depois, assistindo Gustavo Chacra (Guga), no Em Pauta do Globo News, dizer que foi um dos filmes mais impactantes e forte que já viu até hoje. Assim, entrei na sessão do longa-metragem e sai, na certeza, que é um dos melhores filmes realmente feito nos últimos tempos.

Lee Chandler (Casey Affleck) recebe a notícia do falecimento do seu irmão e volta para Manchester, onde é informado que será o tutor do sobrinho, fazendo com que deixe sua vida em Boston. Nesse retorno encontra e se reconecta com um trauma vivido por ele sua ex-esposa, interpretado por Michelle Williams.

Até uma boa parte do filme - e um breve cochilo no início - concordei com Rubens Ewald Filho sobre Casey Affleck, porém quando o trauma do moço é revelado, tudo muda. É perceptível a contenção emocional do personagem e nisso o roteiro é simplesmente fantástico. Sem contar com falas potentes e de catarse, a grande jornada do herói trata-se da capacidade dele carregar e continuar vivo com seu grande trauma e conflito.

Manchester à Beira-Mar
Na minha opinião as duas cenas de reencontro de Lee e Randi (Michelle Willims) mostram a bela performance do roteiro, diretor e atores na capacidade em fazer cenas sem falas de impacto, mas extremamentes emocionantes. Sem dúvida, imperdíveis!

A fotografia impecável do filme deixa claro esse gelo necessário ao personagem Lee. A direção de Kenneth Lonergan é certeira (e estreia um novo filme, em breve, com Shirley MacLaine, Jessica Lange e Demi Moore),  e o elenco secundário também está impecável e entregue em seus personagens.

Sem dúvida, torço por bons resultados pelo filme no Oscar 2017, mas é mesmo imperdível e um dos filmes mais forte que já vi, também. O drama pessoal de Lee é tão pesado e comovente que nos faz sair do cinema cheio de humanidade e percebendo que muitas vezes a redenção do herói (ou nossa) pode ser simplesmente seguir em frente.

Não deixem de ver.

Minha Opinião
:D

14 de janeiro de 2017

Animais Noturnos de Tom Ford - Blog e-Urbanidade

Animais Norturnos
O que se espera ao assistir um filme de Tom Ford? Obviamente, um impecável cuidado estético com cada cena, desde a fotografia aos melhores enquadramentos, passando por lindos figurinos e locações com belos prédios. Mas, o diretor, mais uma vez, depois de Direito de Amar, traz um história cheia de conflitos psicológicos, sem clichês e forte!

Dessa vez, estrelado pela a atriz do momento Amy Adams e Jake Gyllenhaal, o filme é cheio de camadas e contado em três partes. Na primeira, fio condutor principal da história, Susan (Amy) recebe o manuscrito do livro do seu ex-namorado Edward (Jake), dedicado a ela. A partir daí, são apresentadas as histórias do livro e flash-backs da história do casal.

Por meio de um suspense psicológico, vai sendo descortinado uma relação vigorosa e traumática entre o casal, em que a arte parece ser uma forma de catalizar e expressar sentimentos ditos e não ditos. Isso foi o que mais me impressionou na construção do roteiro, que concorreu ao Globo de Ouro 2017.

A película ainda conta com dois personagens muito bem construídos e interpretados: Ray, intepretado por Aaron Taylor-Johnson que levou o Globo de Ouro 2017 de melhor ator coadjuvante nesse papel e; Michael Shannon, o xerife. Já Amy não me impressiona diante de tantos choramingos - sem dúvida, ela está melhor em A Chegada - e Jake está bem, como sempre, mas sem sobressaltos de interpretação.

O cenário do livro de Edward é centrado em locações áridas do Texas, o que é inesperado ao tratarmos de Tom Ford, contrastando claramente com as belas locações das outras duas histórias. Mas quando os créditos são apresentados, tal escolha é fundamental para a construção de toda história. Isso é brilhante no roteiro.

Alguns momentos são imperdíveis do longa-metragem como a cena de abertura, feita com a dança sensual e contraditória de mulheres gordas que segundo Ford trata-se de uma crítica à sociedade americana; a curta participação de Laura Linney, em uma única cena, hilária e cruel; e a cena final, um anti-clímax..

Com certeza é dos bons filmes do momento e deve aparecer em algumas listas do Oscar de 2017, mesmo não tendo muito êxito no Globo de Ouro. A possibilidade de percebermos a arte como uma forma de expressar, e até mesmo resolver conflitos e dores, é o elemento mais fascinante em Animais Noturnos.

Não deixem de ver!

Minha Opinião
:)

10 de janeiro de 2017

Minha Mãe é Uma Peça 2 - Blog e-Urbanidade

MInha Mãe é uma Peça 2
Fui assistir Minha Mãe é Uma Peça 2 no cinema, mesmo não tendo ido na primeira versão, mas, confesso, sempre vejo quando repete a exaustão no Tele Cine. Se tornou um daqueles filmes que paro para assistir, mesmo depois de milhares de vezes, como As Branquelas, O Diabo Veste Prada e por ai em diante.

Sem dúvida, é um longa-metragem criado a partir de um personagem em que transitam várias histórias desconexas mostrando as peripécias de uma mãe, desde a saída dos filhos de casa até as dúvidas e incertezas desses jovens.

Eu ri muito e algumas cenas são muito boas. Os diálogos afiados de Paulo Gustavo são realmente seu ponto forte, mesmo que em alguns momentos chega a dar uma cansada.

Minha Mãe é uma Peça 2 não pode ser dito como um filme com roteiro, pois não existe uma história que liga o filme de uma ponta a outra, com arco dramático e uma visível (ou até invisível) jornada do personagem principal. Tudo isso é bobagem e nem pague o ingresso se esperar por isso. Agora, se quer rir de uma colagem de situações e identificar em algumas, vá, o ingresso vale pela diversão.

Tentando dar uma certa organização nas ideias, pode-se dizer que nesta continuação volta-se a falar daquela mãe operística em que os filhos vão sair de casa para viver suas próprias vidas, em outra cidade. Eles estão começando suas carreiras, no início estão desempregados e em dúvida com várias questões da vida, inclusive a sexualidade. Por outro lado, a irmã que mora em Nova Iorque, interpretada por Patrycia Travassos, volta para visitar as irmãs. Só isso, ela não tem função nenhuma!

Por outro lado, fica meio evidente que, se houver uma terceira continuação, a história terá alguma parte em NY, diante das cenas finais.

É isso e não fique triste se não falei dos filmes do Globo de Ouro e de algo mais pesado, mas se a semana foi cansativa, faça como eu: enfie-se numa sessão de Minha Mãe é uma Peça 2, na sexta-feira, depois do expediente e esqueça dos filmes de arte. A risada pode valer a pena.

8 de setembro de 2016

Aquarius - filme com Sônia Braga - Blog e-Urbanidade

Cena do filme Aquarius
As redes sociais e a crítica estão elogiando o filme Aquarius em todos os sentidos, ora pela interpretação de Sônia Braga ora pela belíssima história contada pelo diretor Kleber Mendonça. É difícil dizer o que mais agrada, mas a genialidade do roteiro é, pra mim, seu ponto mais forte.

Sei que algumas pessoas estão gritando "Fora Temer" em algumas apresentações e lá se vão alguns gritos de ordem, como se Clara, personagem de Sônia, estivesse a esse serviço. Talvez a relação tenha sido pela manifestação do elenco no lançamento em Cannes, mas penso que para por ai. No mais, Aquarius é uma crítica a classe média, em que estamos muitos de nós que lemos e fazemos blog, do qual a protagonista também faz parte. Só resta saber para que lado ir e com que armas vamos lutar. 

Quando o letreiro subiu, fiquei alguns minutos em silêncio, impactado com a última cena. Quem, de alguma forma ou outra, não gostaria de terminar algumas situação de forma tão cartática?

Clara é uma senhora de 65 anos que tem uma construtora à sua porta querendo comprar o último apartamento para começar um grande empreendimento à beira da praia de Boa Viagem, Recife. Assim, essa mulher, muito bem alfabetizada, come todas as refeições diárias, tem empregada doméstica, paga por sexo e que pode levar dois milhões pelo imóvel, nega todas as propostas. 

A partir construí-se uma história em que são apresentados elementos de uma sociedade brasileira tão diversa e que a instrução nem sempre significa a capacidade de entender o outro. Aliás, cidadania, para Aquarius, talvez seja a capacidade de se colocar no lugar do outro e "lutar" com "armas" honestas para mudar algo ou alguém.  

Algumas cenas são muito interessantes, como a sugestão de Maria Bethânia para o sobrinho, assim como o papo sobre o filho morto da empregada doméstica que é reduzida a monossílabos na cena da praia, entre Clara, sobrinho e namorada dele. Ali ficamos com aquela sensação clara de que andamos ficando muito frios com o sofrimento do outro. 

Não tenho dúvida em recomendar o filme. Mais um emblemático e importante filme sobre o Brasil que a gente conhece, mas que não quer ver. 


28 de agosto de 2016

De Onde Eu te Vejo - Blog e-Urbanidade

De Onde Eu te Vejo
De Onde Eu te Vejo, filme com Denise Fraga e Domingos Montagner, dirigido por Luiz Vilaça, tem me rondado desde sua estreia. Mesmo com a atriz principal, como vários outros artistas, falar que era necessário ir na primeira semana, pois isso traduz a manutenção de um longa em uma sala, não fui!

Agora no Now, da Net, fui ver, mas quase desisti minutos antes, pois vi o trailer, novamente, e ele é quase um spoiler do próprio filme. Achei que não tinha muito o que ver. Mas, vamos falar do dele, certo?

O início é meio chatinho, textos longos e sem liga, mas de repente a história de Ana Lúcia e Fábio, que vivem juntos há vinte anos e resolvem se separar,  nos pega. Como já tive relacionamentos longos, me identifiquei com as lembranças do casal dos restaurantes e até mesmo do pão francês do parceiro (a).

O que tem de bom em De Onde Eu te Vejo? O tom dos atores principais, o bom ritmo de Manu (Manoela Aliperti), filha do casal. Imperdível a cena em que Ana Lúcia e Fábio deixa a filha em Botucatu, para estudar, e eles voltam no caminho chorando. Também, os últimos minutos fazem toda a diferença na história.

Não chega a ser um filme marcante, mas é uma bela história para quem curte São Paulo. Falta amarrar algumas narrativas, como o relacionamento de Manu e o namorado e o romance de Ana Lúcia com Marcelo (Marcelo Airoldi).

Vale pela diversão, pelos bons momentos, belíssima fotografia de São Paulo e boa e velha discussão sobre a novidade e inexorável realidade de que a vida passa e "o novo sempre vem".

Bom filme!

6 de janeiro de 2016

Catálogos 1 - Comédias - Blog e-Urbanidade

Se você fica perdido diante das opções de filmes do Netflix ou outros sistemas on-line que alugam longas, seguem alguns que assisti nos últimos dias. Quem sabe possa ajudá-lo.

Filme Enquanto Somos
Jovens
Enquanto Somos Jovens é um dos filmes mais originais e inesperados dos últimos tempos, levando em conta que as películas de "circuitão" normalmente são muito óbvias e sem grandes reflexões. Estrelado por Ben Stiller, Naomi Watts - que estão ótimos! - trata da crise pessoal originada na aproximação de um casal vinte anos mais novos que eles. Além de trazer um novo fôlego a eles, cria-se um bom espaço para discutir a maturidade e sobre um mundo que insiste em nos encaixar em modelos prontos. No Now, da Net, é possível alugar.

Filme
Sob o Mesmo Céu
Para os domingos terminarem mais leves, sugiro Sob o Mesmo Céu, que tem um elenco espetacular, entre eles, Bradley Cooper, Emma Stone, Rachel McAdams, Bill Murray, John Krasinski e Alec Baldwin. Conta o reencontro de Brian (Cooper) e Tracy (Mc Adams) que foram namorados há anos e tiveram a relação muito mal acabada. Ela, casada com dois filhos, e ele, recém-apaixonado pela capitã Ng (Stone), buscam uma forma de conviver e, quem sabe, restaurar as mágoas antigas. Na minha opinião, o filme é bem confuso na história do lançamento do satélite, motivo que leva Brian ao Havaí, onde tudo acontece. Nem por isso, deixa de ser um filme simpático, muito bem defendido pelos atores. A típica comédia romântica americana. Está disponível no Netflix.

Amor e Turbulência
Amor e Turbulência é uma comédia romântica francesa e, por incrível que pareça, se lambuza em clichês, o que é meio decepcionante. Porém, os filmes franceses sempre são interessantes, tanto pelas interpretações quanto pela realização. Os personagens de Ludivine Sagnier e Nicolas Bedos, também ex-namorados, se reencontram num voo de volta a Paris, saindo de NY. Lado a lado, começam a dar os seus pontos de vistas sobre as situações que os levaram ao fim dramático há três anos.  O roteiro é interessante ao expor acontecimentos similares sobre o olhar de cada personagem. Mas, em alguns momentos, chatinho, com uma certa "barriga" no meio. Mas traz uma boa reflexão sobre como tratamos nossos medos diante das relações sentimentais que, muitas vezes, são até mesmo de auto-boicote. Está disponível no Netflix e pode ser uma boa.