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19 de junho de 2017

Capitão Fantástico - Blog e-Urbanidade

Capitão Fantástico (Telecine- NOW) estreiou no final de 2016 e Viggo Mortensen já foi indicado ao Oscar 2017 na categoria de Melhor Ator. O filme parte  da história de uma família isolada em uma fazenda, praticamente sem interação com o mundo exterior. Os seis filhos de Ben  (Viggo) têm aulas e treinamento diário tornando-as crianças extremamente preparadas cognitiva e fisicamente.

Assim que a projeção de Capitão Fantástico se inicia o expectador passa a ser confrontado sobre os pontos de vistas positivos e negativos da empreitada do protagonista. E tudo se desmorona quando sua esposa, cúmplice no projeto, falece. A ida desta família à cidade espanta e, ao mesmo, levam à tona os conflitos dos filhos e dessa escolha.

O roteiro e direção de Matt Ross (ator que estrela Silicon Valley) têm grandes imagens, bonitas tomadas e aposta na excentricidade da família diante do mundo externo. Porém, o grande trunfo do roteiro está em apresentar uma crítica ao mundo contemporâneo e suas nuances, diante do mundo ideal, defendido por grande teóricos. Assim, essas importantes reflexões podem ser boas críticas ao mundo atual, mas não conseguem, por outro lado, dar conta de suas contradições.

Outro ponto de destaque do roteiro de Capitão Fantástico é a capacidade de apresentar seus personagens em diferentes camadas, não caindo em uma construção fácil e maquiavélica. Dessa forma, as interpretações de todo o elenco é muito eficiente. Mesmo que Viggo tenha levado a indicação ao Oscar e esteja muito bem, Casey Affleck  - Manchester à Beira Mar - não levou a melhor injustamente.

Capitão Fantástico é um achado diante de tantas verdades definitivas que as pessoas vivem soltando por aí. Necessário para quem leu grande pensadores, acredita nas suas críticas e talvez não tenha clareza nas suas limitações. Por outro lado, importante para aqueles que apostam no mundo capitalista, pois a grande verdade é que ninguém triunfou!

27 de março de 2017

Eu, Daniel Blake - um filme para entender a crueldade da burocracia - Blog e-Urbanidade

I, Daniel Blake
Como sofrem os ingleses das classes desfavorecidas, hem? Lastimável perceber que naquele país existe uma burocracia infernal caso você precise acessar o governo para receber algum benefício! Burocracia burra e bárbara! No Brasil não é nada assim, certo?

Eu. Daniel Blake conta a história desse sujeito que é um trabalhador ativo impedido a continuar a trabalhar após um ataque do coração. Assim, começam suas andanças e longas esperas em ligações telefônicas diante das exigências do sistema inglês para continuar a receber o benefício. Lá pelas tantas ele conhece Katie, outra vítima da burocracia dos benefícios governamentais. 

O diretor Ken Loach não tem grandes preocupações estéticas com o filme. Sem cortes e movimentos de câmeras espetaculares, a história é contada de forma realista e seca. Nem mesmo a sonoplastia tem a preocupação de dar ritmo as cenas. O roteiro e o poder desse escândalo são os grandes trunfos da película. 

O filme que concorreu ao Oscar de Melhor Filme em 2017 é, na verdade, uma grande crítica ao mundo moderno e sua crueldade, principalmente, com os menos favorecidos ou, porque não dizer, com qualquer pessoa que precise parar de trabalhar por problemas de saúde. O capitalismo pode ser tirano! Essa é a grande verdade mostrada por Daniel Blake. 

Na minha opinião é um filme que deve ser visto por todos que trabalham com gestão de pessoas, em departamentos pessoais ou recursos humanos. Ah!, e sem dúvida por funcionários públicos. É possível nos tornarmos frios com a desgraça alheia quando apenas servimos ao sistema vigente. Muitos blakes estão por ai e pode ser qualquer um de nós, a qualquer momento.

Vejam e percebam o quanto nosso mundo anda cruel!

Segue o trailer de Eu, Daniel Blake

22 de março de 2017

Um Limite Entre Nós - Blog e-Urbanidade

Um Limite entre Nós
Viola Davis em seu grande momento
E a Viola, hem? E o Denzel, minha gente? Não posso deixar de assegurar que saí perplexo da sessão de Um Limite Entre Nós. Filme nem tão palatável, pois trata-se de uma adaptação do teatro para o cinema, é uma história que parece falar de preconceito e direitos civis dos negros, mas quando os créditos sobem percebemos que ali estão nossas famílias, relações e os tais limites entre nós.

Falar das boas interpretações é chover no molhado depois de Viola Davis ter levado merecidamente o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante no Oscar. Denzel Whashington faz um personagem que vai se transformando no decorrer da película, de fanfarrão ao pai de muitos de nós.

Sim, Troy Maxon (Denzel) é aquele pai que quando o filho lhe pergunta "você gosta de mim?", ele responde que isso não faz sentido, pois cabe a ele apenas a colocar comida na mesa. Visão muito comum entre tantos pais por aí, porém, ao mesmo tempo, como culpar aquele sujeito, simples, analfabeto e limitado a ter outra visão de mundo. Resta apenas perdoar?

Um Limite Entre Nós é denso e muito verborrágico. Fala-se muito e a direção não tem como objetivo sair do formato teatral como já visto em, por exemplo, Dogville. Não tenho muita dúvida que Denzel, o diretor, não tenha procurado escapar disso.

Como disse, saí extremamente tocado pelo filme e gosto também de produções que evitam explorar o sentimento por meio de música, por isso até o silêncio emociona, mas sem apelos. Contundentes as falas de Troy (lembrei-me muito do meu pai!) e fascinante o mundo construído por Rose (Viola). Afinal, como diz o filme, existem pessoas que fazem cercas para separar e outras, para juntar.

Mesmo sendo a coadjuvante, a jornada de Rose em juntar aquelas pessoas dentro da cerca parece-me a mais tocante e heroica. Por isso, Um Limite Entre Nós precisa ser visto com maturidade, pois a questão racial ali é a menor delas, afinal dentro daquelas cercas (para juntar ou expulsar) estão todas as famílias. E por incrível que pareça, depois de alguns anos é que vamos percebendo que aquelas pessoas que nos cercaram são humanas e, talvez, seja preciso exercer o perdão em alguns momentos.

Bom filme!

27 de fevereiro de 2017

Moolight - Sob a Luz do Luar. Valeu torcer! - Blog e-Urbanidade

"À luz da lua, os corpos negros parecem azuis" e diante desta fala, constrói-se uma dos filmes mais interessante e emocionante da safra Oscar 2017: Moonligth: Sob a Luz do Luar. Fiz questão de estar em uma das primeiras sessões ao chegar ao Brasil e saí de lá convencido que merecia todas as indicações ao prêmio americano.  Torcia, também, para levar algumas estatuetas, mas não acreditava muito diante do favoritismo de La La Land . E depois da cena mais grotesca do mundo, o prêmio saiu das mãos dos produtores do musical e foi parar com o diretor Barry Jenkins. Yes!

O filme conta a história de Chiron em três atos: pequeno, adolescente e adulto. Negro, morador da periferia de Miami, perto de uma boca de fumo, a jornada do herói não é das mais fáceis. Estamos diante de um grande herói!

Questões de uma sociedade imersa nas drogas e no preconceito racial e sexual são com tanta força apresentados que, apesar de causar estranheza na primeira imagem, aquele Chiron forte, mascarado por músculos e dentes de ouro parece necessário.

Com um elenco eficiente e potente, com dois coadjuvantes concorrendo ao Oscar e um deles levando (Mahershala Ali levou pra casa de melhor ator, já Naomie Harris perdeu, felizmente, para Viola Davis). é um filme necessário, real e extremamente delicado ao expor o conflito de Chiron e sua sexualidade. Pelo roteiro adaptado também levou o prêmio americano merecidamente.

Saí da sessão pensando sobre as máscaras que vamos criando para buscar uma forma de nos esconder dos nossos medos, realidade e até mesmo inseguranças, assim com a lua pode tornar um negro azul. E como é bom quando o filme nos faz sair da projeção calados e refletindo sobre a situação de desigualdade dos negros, inclusive no nosso país, e sobre as várias formas de preconceito que passamos na vida (mesmo sendo brancos).

De verdade, a questão sexual de Chifron é tão delicada e conflituosamente apresentada que me senti dentro do personagem enquanto ele ficava calado, mas percebia-se sua inquietação interna. Em Chifron me vi em vários momentos da vida!

Genial e tocante, Moonlight deve ser visto, revisto e discutido.

E viva o bom cinema americano!


22 de fevereiro de 2017

Lion, Uma Jornada para Casa - Blog e-Urbanidade

Lion, Uma Jornada Para Casa
E agora vamos falar de Lion, Uma Jornada Para Casa, que conta a história do indiano Saroo que um dia se perde na estação de trem, enquanto aguarda seu irmão. Abandonado, vai parar em um abrigo de crianças, onde é adotado por uma família australiana.

Mesmo tentando reconstruir sua vida, Sarro cresce atormentado pela falta da família biológica e, principalmente, preocupado com seu irmão, aquele deixado na estação. Assim, a jornada do personagem é a de reencontrar sua família e dar um novo sentido para sua vida.

Segundo longa-metragem do diretor Garth Davis, o roteiro é linear, mas chega a emocionar.

Primeiro motivo: as interpretações são bem defendidas, mas o que torna Lion imperdível é o garoto Sunny Pawar que vive Saroo na primeira fase. Mas, Dav Patel é quem concorre ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante esse ano. Não deve levar!

Segundo motivo: eu não curto filmes com grandes cenas, ou seja, aquelas de falas impactantes, pra mim sempre é inverossímil, mas, mesmo um pouco didática, é emocionante o encontro entre Nicole Kidman (no papel da mãe adotiva, Sue) e Dav (Saroo) ao discutirem sobre a adoção como um presente e não um peso. Vale a conscientização!

Lion não está em nenhuma das minhas listas de filmes preferidos ao Oscar deste ano, mas é uma película regular, com uma mensagem bonita, atores comportados, boas imagens (mesmo que pareça Cinema Novo, às vezes). É uma boa opção para um dia da semana que esteja cansado do escritório e quer ter uma desculpa para comer junk food  na praça de alimentação de algum shopping antes ou depois de assistir.

Bom filme.

19 de fevereiro de 2017

Estrelas Além do Tempo - Blog e-Urbanidade

Estrelas Além do Tempo
Aproveitei o fim de semana para prosseguir na maratona de assistir os filmes que concorrem ao Oscar 2017, assim vi dois que são inspirados em fatos reais, Lion e Estrelas Além do Tempo, e vou começar por esse último.

A escolha é quase óbvia por contar a história de três matemáticas negras ao colaborar com a Nasa ao enviar seu primeiro foguete ao espaço. Assim, a história é cheia de boas referências para nós matemáticos, tais como o nascimento da Matemática Moderna, a criação do primeiro computador IBM, a linguagem Fortran - que eu aprendi na minha graduação - e muita geometria analítica.

Na verdade tudo isso pode ser desprezado para gostar de Estrelas Além do Tempo. Com uma história de superação, principalmente dos direitos civis dos negros em plena Guerra Fria, a película usa de todos elementos de um roteiro melodramático e perfeitos para um domingo à tarde.

Mesmo sendo um filme muito gostoso de ver, concorrer ao Oscar de Melhor filme é muito, na minha opinião. Está lá por reunir bom elenco, roteiro regular e a busca da academia em valorizar filmes com negros depois de toda a polêmica do prêmio em 2016. Nem como melhor roteiro adaptado deve levar. Também Octavia Spencer concorre a Melhor Atriz Coadjuvante e não merece tanto, ela faz o seu personagem de sempre.

Mas recomendo, muito!, até pelo estranhamento que temos ao encontrar as questões raciais no universo americano e, quem sabe, as pessoas possam entender que o mais importante na sociedade atual nem sempre é de concordar com isso ou aquilo, mas em garantir direitos civis e iguais para todos.

Quando a legenda subiu não pude deixar de dizer que adorei o filme. Mesmo retratando um drama racial tão forte, momentos cômicos dão certa leveza e um tom nonsense para, por exemplo, os banheiros separados para brancos e negros. Também vale pelas boas cenas da cantora Janelle Monáe e a boa interpretação de Taraji P. Henson como protagonista.

Para finalizar, o diretor Theodore Melfi mesmo não tendo grandes filmes na sua filmografia, assina o roteiro de um filme que assisti o trailer e achei bem interessante - Despedida em Grande Estilo - que reuni nada mais nada menos que Morgan Freeman, Michael Caine, Alan Arkin. Entra no circuito brasileiro em abril.

Não deixem de ver Estrelas Além do Tempo.

25 de janeiro de 2017

La La Land - Blog e-Urbanidade

Filme La La Land
La La Land é um bom musical? É um bom musical. Tem bons atores e direção? Tem bons atores e direção. É bonitinho? É bonitinho. Tem uma história original e até surpreende? Tem, sim. Mas, te empolgou? Não. Saí do cinema bem decepcionado diante de tantos elogios lido e ouvido.  E nem vamos questionar as quatorze indicações ao Oscar 2017, pois já detestei muitos filmes que levaram muitas e muitas estatuetas.

O filme conta a história de um casal muito bem interpretado por Ryan Gosling e Emma Stone em torno da busca da felicidade no amor e na carreira. Contada por meio das quatro estações e termina no inverno, portanto o final pode não ser tão animado.

Eu gosto de musicais em cinema, por exemplo, Moulin Rouge continuará sendo meu preferido. Mas, La La Land tem seus pontos positivos. Além do elenco já falado, da direção do ótimo Damien Chazelle que já tinha gostado bastante em Whiplash, o roteiro é inovador, com algumas sequências muito bem construídas. Também o roteiro brinca com alguns clichês dos filmes musicais, sempre procurando inovar na linguagem.

Mesmo que alguns tenham já se desesperado no plano-sequência de dez minutos na abertura do filme, sinceramente considerei um dos pontos altos do longa. inclusive pelas características técnicas para realizá-lo. Também é muito bem feita a reconstrução da história do casal quase ao final, quando se reencontram. Ajuda a aumentar o suspense sobre o "the end".

O filme não é feito apenas de canções, isso também deve ser levado em conta pra quem detesta musicais, pois há uma boa mistura de sequências de falas e canções. Inclusive, em alguns momentos, entram em cena apenas música instrumental.

Como só elogiei, deve estar se perguntando se não gostei mesmo. Sim, como comecei, é um bom filme. Mas nada demais. Reconheço que Emma e Ryan estão ótimos, a direção impecável. Apenas não torço mais pelo mocinho, pois desde que vi Manchester à Beira-Mar (leia a resenha logo abaixo deste post) aposto em Casey Affleck.

Talvez vale a pena pegar alguma sessão para ter a sua própria opinião e não ficar tão fora do papo em alguma mesa de bar, pois depois de quatorze indicações ao Oscar 2017, sem dúvida, vão falar muito de La La Land nos próximos meses.

Minha Opinião
:]

22 de janeiro de 2017

Manchester à Beira-Mar - Blog e-Urbanidade

Manchester à Beira-Mar chegou a mim após levar o Globo de Ouro de Melhor Ator Dramático, ouvindo Rubens Ewald Filho que Casey Affleck é um péssimo ator e, depois, assistindo Gustavo Chacra (Guga), no Em Pauta do Globo News, dizer que foi um dos filmes mais impactantes e forte que já viu até hoje. Assim, entrei na sessão do longa-metragem e sai, na certeza, que é um dos melhores filmes realmente feito nos últimos tempos.

Lee Chandler (Casey Affleck) recebe a notícia do falecimento do seu irmão e volta para Manchester, onde é informado que será o tutor do sobrinho, fazendo com que deixe sua vida em Boston. Nesse retorno encontra e se reconecta com um trauma vivido por ele sua ex-esposa, interpretado por Michelle Williams.

Até uma boa parte do filme - e um breve cochilo no início - concordei com Rubens Ewald Filho sobre Casey Affleck, porém quando o trauma do moço é revelado, tudo muda. É perceptível a contenção emocional do personagem e nisso o roteiro é simplesmente fantástico. Sem contar com falas potentes e de catarse, a grande jornada do herói trata-se da capacidade dele carregar e continuar vivo com seu grande trauma e conflito.

Manchester à Beira-Mar
Na minha opinião as duas cenas de reencontro de Lee e Randi (Michelle Willims) mostram a bela performance do roteiro, diretor e atores na capacidade em fazer cenas sem falas de impacto, mas extremamentes emocionantes. Sem dúvida, imperdíveis!

A fotografia impecável do filme deixa claro esse gelo necessário ao personagem Lee. A direção de Kenneth Lonergan é certeira (e estreia um novo filme, em breve, com Shirley MacLaine, Jessica Lange e Demi Moore),  e o elenco secundário também está impecável e entregue em seus personagens.

Sem dúvida, torço por bons resultados pelo filme no Oscar 2017, mas é mesmo imperdível e um dos filmes mais forte que já vi, também. O drama pessoal de Lee é tão pesado e comovente que nos faz sair do cinema cheio de humanidade e percebendo que muitas vezes a redenção do herói (ou nossa) pode ser simplesmente seguir em frente.

Não deixem de ver.

Minha Opinião
:D

14 de janeiro de 2017

Animais Noturnos de Tom Ford - Blog e-Urbanidade

Animais Norturnos
O que se espera ao assistir um filme de Tom Ford? Obviamente, um impecável cuidado estético com cada cena, desde a fotografia aos melhores enquadramentos, passando por lindos figurinos e locações com belos prédios. Mas, o diretor, mais uma vez, depois de Direito de Amar, traz um história cheia de conflitos psicológicos, sem clichês e forte!

Dessa vez, estrelado pela a atriz do momento Amy Adams e Jake Gyllenhaal, o filme é cheio de camadas e contado em três partes. Na primeira, fio condutor principal da história, Susan (Amy) recebe o manuscrito do livro do seu ex-namorado Edward (Jake), dedicado a ela. A partir daí, são apresentadas as histórias do livro e flash-backs da história do casal.

Por meio de um suspense psicológico, vai sendo descortinado uma relação vigorosa e traumática entre o casal, em que a arte parece ser uma forma de catalizar e expressar sentimentos ditos e não ditos. Isso foi o que mais me impressionou na construção do roteiro, que concorreu ao Globo de Ouro 2017.

A película ainda conta com dois personagens muito bem construídos e interpretados: Ray, intepretado por Aaron Taylor-Johnson que levou o Globo de Ouro 2017 de melhor ator coadjuvante nesse papel e; Michael Shannon, o xerife. Já Amy não me impressiona diante de tantos choramingos - sem dúvida, ela está melhor em A Chegada - e Jake está bem, como sempre, mas sem sobressaltos de interpretação.

O cenário do livro de Edward é centrado em locações áridas do Texas, o que é inesperado ao tratarmos de Tom Ford, contrastando claramente com as belas locações das outras duas histórias. Mas quando os créditos são apresentados, tal escolha é fundamental para a construção de toda história. Isso é brilhante no roteiro.

Alguns momentos são imperdíveis do longa-metragem como a cena de abertura, feita com a dança sensual e contraditória de mulheres gordas que segundo Ford trata-se de uma crítica à sociedade americana; a curta participação de Laura Linney, em uma única cena, hilária e cruel; e a cena final, um anti-clímax..

Com certeza é dos bons filmes do momento e deve aparecer em algumas listas do Oscar de 2017, mesmo não tendo muito êxito no Globo de Ouro. A possibilidade de percebermos a arte como uma forma de expressar, e até mesmo resolver conflitos e dores, é o elemento mais fascinante em Animais Noturnos.

Não deixem de ver!

Minha Opinião
:)