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8 de janeiro de 2017

Please Like Me - seriado australiano no NetFlix - Blog e-Urbanidade

Divulgação
Férias tem destas coisas, tempo livre para zapear os canais e filmes do NetFlix. Foi assim que cheguei em Please Like Me, seriado da tevê australiana que tem um humor refinado, mesmo tocando em assuntos nada leves, como suicídio, rejeição, separação, morte e preconceito.

O primeiro episódio dá logo o traço principal que seguirá pelas três temporadas que estão disponíveis no NetFlix, a história de um rapaz que chega aos vinte um anos e termina o namoro com uma menina que, além reclamar da falta de comunicação do casal, ela diz que Josh (Josh Tomas) é claramamente homossexual. Josh é fruto de uma família de pais separados, o pai é casado com um tailandesa em uma relação longe de ser afetiva e a mãe acaba de cometer suicídio.

Todos esses temas vão sendo apresentados, como a dificuldade de Josh se auto-aceitar, a relação conflituosa com o "namorado" Geoffrey (Wade Briggs), as inseguranças da sua mãe depressiva, a relação entre religião e amor, muito bem apresentada na cena em que tia Peg (Judi Farr) protagoniza na igreja, após o pastor condenar as relações homo-afetivas. Na minha opinião, um dos pontos altos da primeira temporada. Também é preciso falar que tia Peg protagoniza as melhores e mais deliciosas cenas dessa fase, incluindo o último episódio.

Por que vale a pena assistir Please Like Me, além desta introdução inicial? Primeiro, Josh, protagonista, é também o ator, roteirista e diretor do seriado. Assim, o personagem principal homônimo é claramente autobiográfico, dando aquele mesmo sentimento de proximidade entre ficção e realidade presente, por exemplo, tão fortemente em livros com a série A Minha Luta (Minha Luta 1, Minha Luta 2). Isso representa aquela máxima que o local sempre é global, além de uma baita coragem do criador.

Outro fator que para mim é fundamental em qualquer seriado: episódios curtos, em torno de 25 minutos. Eu tenho muita preguiça em assistir episódios longos e isso me motiva bastante em seguir em frente, principalmente de ter avançado pelo primeiro capítulo.

Confesso que fiquei um pouco incomodado com a incapacidade do roteiro ser construído sem mergulhar de cara nos conflitos, pois muitas vezes eles são apresentados e tratados de forma rápida. Mas, isso vai sendo desconstruído (e entendido) assim que os episódios vão sendo mostrados. E isso passa ser o ponto alto do roteiro, ou seja, os conflitos são tratados sem linearidade, assim como acontece na vida da gente, afinal muitas vezes a gente tenta fugir deles e vai tocando em frente. E o humor é fundamental para essa forma de ir vivendo e não mergulhando nos conflitos. Com certeza, isso torna o seriado genial. (Digo ainda que me identifiquei com essa "forma" de viver de Josh e sua família).

O seriado foi apresentado na Austrália e Estados Unidos em 2013, primeira temporada, e as sequências seguintes nos anos consecutivos. No Netflix chegou em novembro de 2016 com a apresentação das três temporadas, já com anúncio da quarta nos Estados Unidos.

Please Like Me é um achado para quem gosta de boas histórias, comédia leve, dramas pessoais bem construídos e, de alguma forma, se identificar com os conflitos de se achar estranho em algum momento da vida. Uma mãe depressiva, uma madrasta tailandesa e um filho gay são para lá de um mergulho na diversidade presente no mundo de hoje, e Please deixa claro que não adianta fechar os olhos para isso.

Assistam!




26 de novembro de 2016

Por que Black Mirror está fazendo sucesso? - Blog e-Urbanidade

Black Mirror
Porque trata do impacto da tenologia levada ao extremo, nos deixando ao final sempre incomodados como fatos e atitudes simples do nosso cotidiano e suas possibilidades.

A primeira vez que assisti foi por recomendação de um amigo. Segundo ele, era um seriado não muito conhecido, perdido no mundo Netflix, porém era bastante inteligente e impactante. Assim, vi  o primeiro episódio tratando do sequestro em que o primeiro ministro da Inglaterra tem como salvar a vítima, fazendo sexo com um porco. Quando os créditos subiram, estava perplexo!

Depois, no trabalho, um colega me sugeriu o episódio Urso Branco. Confesso que foi o programa que mais mexeu comigo. Terminei abismado e pensando no processo criativo dos roteiristas. E o pior, imaginei que tudo aquilo poderia ser verossímil em um futuro muito próximo.

Agora chegou a terceira temporada e vi elogios em colunas de jornal e editoriais espalhados. Assisti o primeiro desta nova safra, Nosedive. O roteiro conta sobre um mundo fictício (será?) que todo mundo recebe avaliação de 1 a 5 estrelas. Como o mote do programa é sempre levar seus temas ao extremo, como seria um mundo que se até para alugar um carro você precisasse de uma nota mínima? Assim, até pra xingar alguém seria uma tarefa impossível, criando-se um mundo à parte. Crimes seriam dizer o que pensa.

O título Black Mirror vem do espelho negro dos smartphones e tablets que vem sendo usado e se tornando quase universal nos dias de hoje. Diante de tantas novidades e possibilidades não é difícil sair sem ser mexido pelas histórias. Por isso recomendo a ser assistida em pílulas homeopáticas, pois as histórias são tensas e não palatáveis, porém inteligentíssimas.

Recomendo!

13 de setembro de 2012

A Sabina de antigamente - Conto - Blog e-Urbanidade

Sabina era a típica mulher fatal, deliciosa e se estivesse na mídia receberia algum nome de fruta. Seria uma verdadeira salada de frutas diante da bunda e seios fartos. Não havia um ser vivo, por onde passasse que não parava para vê-la. Os homens tinham desejos lascivos e as mulheres, morriam de inveja. Mas, tudo era feito por ela despropositadamente, apenas sabia que lhe caia muito bem as minissaias, os corpetes sem alças, as calças justas, os saltos altíssimos e um batom extremamente vermelho nos lábios. Era tipicamente uma mulher sensual.  Quente na cama. Levava todos à loucura.

Os rapazes tentavam se aproximar dela, meio assustados diante de tanta exuberância. Namorou vários e não sabia ao certo quando teve um caso de amor duradouro. Muitas vezes, o sujeito até era seguro, tinha certa autoconfiança, mas era só passar com a moça em algum lugar ou ir a uma boate e ao perceber que todos os olhares iam em direção a ela para o castelo começar a ruir. Até os nãos ciumentos começavam a desenvolver algum tipo de neurose e quando menos se esperava, a relação acabava e Sabina ia novamente paquerar em alguma roda de samba ou baile funk. Ser uma mulher fatal talvez não seja tão fácil.

A relação mais duradoura que teve foi com Xavier. Sujeito boa pinta e rico. Adorava mostrar a mulher para os outros que entre uma saída da moça ao banheiro ou coisa do gênero rolava sempre uma cantada dos amigos. Foi quase um ano de muitas idas a festas, lançamentos de carros, inauguração de lojas de grã-fino e ela exposta como se fosse um frango no espeto numa padaria.  Tudo acabou quando a moça viu o namorado se pegando com uma vendedora feinha de uma loja de roupas na Oscar Freire. Foi ali que decidiu, em definitivo, que nunca mais se apaixonaria por algum homem. 

Como o destino sempre gosta de aprontar das suas, foi ali, numa loja de departamentos, desta que se compra qualquer coisa e divide em oito vezes que a moça cravou olhos em um rapaz normal. Obviamente não era rico, porque estava comprando camisas e calças sociais para o trabalho. Também não tinha um corpo malhado em nenhuma academia, pois uma barriga saliente apontava na camisa social. Tinha cara, também, que saíra a pouco de algum escritório por perto, pegaria um trem ou metrô, atravessaria a cidade para voltar à labuta no dia seguinte. 

Olhou o rapaz tão atentamente que chamou sua atenção. Claro, de início, ele imaginou ser algum engano, afinal como tão prodígio da natureza feminina poderia sentir qualquer interesse por ele, um sujeito tão normal? Ela fingiu escolher um acessório qualquer na arara da loja e foram para a fila juntos. Ela não conseguia disfarçar o interesse por aquele rapaz tão comum.

Pagaram à conta, ele dividiu a sua em algumas parcelas e, como sabia que ele não tomaria a frente, ela disse que gostou da cor de algumas camisas. Ele agradeceu e antes que fosse embora para o mundo, ela o convidou para um lanche, ali mesmo na praça de alimentação. Inicialmente o rapaz estranhou o convite, mas já que morava por perto e estava de carro – um de qualquer tipo, popular e motor 1.0 - , aceitou. Bateram papo como se fossem grandes amigos. E se despediram com a troca de telefones e um beijo cordial nas faces mútuas. 

Encontraram-se na mesma praça de alimentação e viram as luzes serem apagadas e o shopping sendo fechado por inúmeras vezes. Dias depois deram o primeiro beijo e fizeram sexo algumas semanas depois, ela, como sempre, voraz. Ele, tímido, não sabendo ainda ao certo se era muita areia para o caminhão dele.

Após uma noite longa de sexo, ela acordou, tomou uma ducha e ao voltar para o quarto viu o rapaz ali, estendido, cansado e dormindo. Imediatamente o coração apertou e um sorriso brotou, sem sentido, no rosto. Sentiu-se amando aquele sujeito e precisava dizer isso a ele.

Tocou os lábios dele com os seus e ele abriu os olhos, um pouco assustado, mas se acalmou rapidamente. Ouviu um “eu te amo” em seu ouvido e disse de volta um “eu também”. Se beijaram loucamente, fizeram sexo novamente e ela deitou sobre o seu peito, na certeza de que agora sim era uma mulher completa.

Os próximos dias foram estranhos para Sabina, de repente não sentiu mais vontade de usar suas minissaias e os tomara-que-caia. Começou a comprar, sem perceber, roupas mais largas, pintou os lábios com uma cor mais suave, também o fez com as unhas das mãos e dos pés. E não aguentava passar um dia longe do seu amor. Conseguiu até escrever algumas linhas de amor, mas acabou mesmo foi copiando uma poesia da internet para por no cartão do presente do dia dos namorados.

Aquela mulher visceral foi dando lugar a uma mulher mais calma na cama. De poucas posições, de menos exibicionismo e mais palavras de amor ao pé do ouvido. Não sentia mais vontade de fazer sexo várias vezes ao dia ou todo dia. Encontrar aquele homem diariamente, dormir no seu peito parecia ser o mais importante. E após uma transa, decidiu que definitivamente amava aquele homem e não era mais a Sabina de antigamente. 

Imagem do site Comic House. 

28 de junho de 2012

A Bolsa & A Vida - Blog e-Urbanidade

Livro Bolsa & A Vida
Dia desses peguei um livro emprestado na biblioteca de onde trabalho. Claro que o nome do autor me chamou a atenção: Carlos Durmmond de Andrade. O título do livro A Bolsa & A Vida - crônicas em Prosa e Verso pareceu extremamente interessante quando pensamos no escritor falando de assuntos simples da vida, temas frequentes das crônicas.O livro foi publicado em 1982 e traz crônicas dos anos 50 e 60. Outra preciosidade da obra é a capa do Ziraldo.

Reconheço que a primeira crônica é realmente deliciosa. Intitulado A Bolsa o escritor narra o dia que encontrou, pela primeira vez, um objeto perdido - no caso, uma bolsa feminia - no ônibus. Começa, assim, uma peregrinação pelo dona do objetivo. O que era uma novidade se torna um fardo.

O livro também é uma viagem ao Brasil daqueles tempos que mesmo diante da modernização, alguns discursos e temas são dos mais atuais. Impressionou-me a forma democrática e original de Gazeta Praiana, um conto que relata da forma simpática como aqueles metros de areia recebem a todos e nos fazem, por algumas horas, esquecer dos problemas pessoais, nacionais e mundiais (e qualquer outro que exista). Também me identifiquei muito com o Ficar em Casa, um relato riquíssimo de como é bom estar dentro daquelas paredes que chamamos de lar. Nos sentimos únicos e  todas as obrigações estão suspensas, e só valem as que soubermos traçar a nós mesmos.

Termino com o primeiro parágrafo de O Outro Marido, uma história de um homem que se diz doente para a esposa e vai morar no hospital, mas não deixa de levar dinheiro mensalmente para as necessidades dela. Com a ausência, anos após repetir tal ritual, ela o procura e descobre que era um homem saudável e construiu uma outra família, sendo muito feliz. Então, ela conclui não ser aquele o seu marido. Segue o texto:

Era conferente da Alfândega - mas isso não tem importância. Somos todos alguma coisa fora de nós; o eu irredutível nada tem a ver com as classificações profissionais. Pouco importa que nos avaliem pela casca. Por dentro, sentia-se diferente, capaz de mudar sempre, enquanto a situação exterior e familiar não mudaava. Nisso está o espinho do homem: ele muda, os outros não percebem. 

Lindo, não?

12 de dezembro de 2008

Você já pensou em se desnudar? - Blog e-Urbanidade

Asssiti ontem, quinta, no CCBB de Brasília a peça Nu de mim mesmo. Maravilhoso! Um dos textos de maior sensibilidade que já vi nos últimos tempos.

Ecoam ainda na minha cabeça algumas falas, claro, não sei se são bem assim, mas é isso que está aqui comigo:

- Como seria bom se na vida estivesse tudo etiquetado.

- A vida é assim, longa e sem intervalos.

- Não sei como fazer, pai, você pode me ajudar?

- Sabe aquilo que te falei desde pequena? Iremos nos casar.

- Meus filhos são as cordas do meu coração.

- O que você faria de novo?

- Eu curtiria novamente minha infância (Esta frase é minha! E foi falada lá. Se assistir a peça, vc vai entender!)

- Havia um risco no chão que não desfazia, acho que era pra dizer que minha vida não mudaria mais.

- Você pode até voltar, mas será que encontrará esse local novamente, quando voltar?

- A mesa era baixa para usarmos quando crianças. Crescemos e a mesa não foi mudada?

- Por que a gente sempre quer ser herói?

São tantas outras! São 3h20 de espetáculo que nos deixa admirado e muito emocionado. Dei uma opinião melhorzinha e mais completa no Parou Tudo. Clique aqui e veja.

A peça fica aqui até dia 21 de dezembro. Faça um favor pra vc mesmo. Vá! Ah, são só cinqüenta lugares por vez, por isso, chegue antes para comprar e assistir. É bom chegar às 19h.

Serviço
Nu de mim mesmo, de 5 a 21 de dezembro.
Quinta a sábado, às 19h30 e domingo às 19h
Ingressos: R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia)
Classificação indicativa: 16 anos
Local: Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília: Setor de Clubes Esportivos Sul, Trecho 2, Conjunto 22

25 de setembro de 2008

Desperate Housewive voltam em outro universo - Blog e-Urbanidade

Elas estarão de volta na nova temporada do Desperate Housewives e cheias de novidades. A danada e gosta ex-glamurosa Gaby (Eva Longoria Parker) se tornará uma mãe e dona-de-casa cansada. Susan (Teri Hatcher) estará separada de Mike (James Denton). As antes arquiinimgas Bree (Marcia Cross) e Katherine (Dana Delany) agora são sócias de um império da culinária. Lynette (Felicity Huffman) descobre que seus filhos abriram um cassino clandestino. E Edie (Nicollette Sheridan), que tinha ido embora, volta. Casada.

O marido de Edie, Dave (Neal McDonough), será uma das figuras centrais dessa temporada. Ele é uma espécie de guru milionário que leva a mulher de volta a Wisteria Lane sem revelar por quê. Ao que tudo indica, ele é motivado por um sentimento de vingança misterioso. Cherry adianta que “Dave é um pouco psicopata e um homem muito ferido. É ao mesmo tempo vilão e vítima". Por outro lado, Dave vai ter total controle sobre a mulher. É um manipulador. Mas, com o casamento, Edie vai se transformar numa pessoa mais tranqüila e menos invejosa.
Susan também estará transformada. Depois de anos casada com Mike, um trágico acidente de carro interromperá a felicidade deles. E ela terá um novo par, Jackson (Gale Harold). É um pintor que apareceu para consertar a casa dela.

Bree e Orson (Kyle MacLachlan) estarão juntos de novo depois que ele terá passado uma temporada na cadeia. Mas o fato de ela ter se transformado numa celebridade vai abalar a relação dos dois. O filho de Bree, Andrew (Shawn Pyfrom), agora é empresário dela. E a filha, Danielle [Joy Lauren), recuperou a guarda do filho.
Ufa, quantas novidades. É como se fosse um novo programa. Vamos esperar no que vai dar, apesar de que aquela vidinha de sempre estava cansativa mesmo.