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22 de julho de 2017

Okja - 4 motivos para assistir - Blog e-Urbanidade

Okja - disponível no NetFlix
Okja é um filme imperdível por, pelo menos, 4 motivos: 1) está disponível apenas na plataforma streaming do NetFlix, assim não é possível assisti-lo no cinema; 2) a mão do diretor Joon-Ho Bong é autoral e única, como a de diretores Woody Allen ou Tim Burton; 3) atores conhecidos de grandes produções (como Jake Gyllenhaal,Paul Dano, Giancarlo Esposito) interpretam personagens bem diferentes e inusitados e, por fim; 4) tem um roteiro inédito e com uma crítica severa e inteligente sobre o capitalismo e suas consequências.

Okja foi apresentado no festival de Cannes de 2017 e causou reboliço, principalmente por trazer uma severa alteração no mercado cinematográfico ao ser lançado exclusivamente no NetFlix. Então, filmes de alta qualidade técnica para chegar ao público não precisam necessariamente serem projetados no cinema. Será que podem ser avaliados em grandes festivais? Essas e outras questões começam a ser discutidas.

O diretor Joon assina a direção e o roteiro, sendo esse em conjunto com Jon Ronson, de linhas cômicas e dramáticas fortes, com estética de anime. Cheio de reviravoltas, é possível não encontrar nenhum minuto de descanso até a metade da película quando o script toma um ar mais crítico. Aí já se está totalmente envolvido com a jornada de Mija (Seo-Hyun) ao salvar seu porco gigante, Okja.

Se atores reclamam que são sempre escalados para os mesmos personagens, a atuação do elenco é um caso à parte. Com certeza encontrar Tilda Swinton fazendo tipos diferentes não é nenhuma surpresa, mas Gyllenhaal é quase irreconhecível em sua atuação. Incluindo vários outros atores e, o melhor, mesmo diante do tom operístico (não sei se existe esse termo!), não caem na simples caricatura.

Quem um dia não criou em casa uma galinha ou porco e a mãe, de repente, avisa que o animal vai ser o almoço de amanhã? Esse é o ponto de partida da história, porém aqui o porco é gigante e é um experimento da empresa Mirando. Não existe a opção de deixá-lo viver. Enquanto tenta resgatar Okja, a garota encontra um grupo radical de resgate à animais. Assim, a ação está garantida.

A cena final, o clímax, é forte, bem escrita e uma verdadeira crítica ao mundo dos abatedouros de animais e do capitalismo. Chega a ser genial! O difícil é não terminar com culpa de ter comido qualquer tipo de carne na última refeição (ou na próxima).

Okja vale por todos esses motivos e sua capacidade de entreter.

Bom filme!

12 de julho de 2017

I Am Michael e Michael Lost and Found - Blog e-Urbanidade

Eu Sou Michael tem
James Franco como estrela
Dois filmes disponíveis no NetFlix merecem atenção. O longa-metragem Eu Sou Michael  (2015 - I am Michael) trata-se de uma ficção narrando a história real de Michael Glatze (James Franco) que deixou a militância glbt, tornando-se um "ex-gay" por causa da religião.  Em seguida, é possível assistir o documentário, com apenas 19 minutos, do reencontro dele com seu ex-namorado (Bennett - no longa interpretado por Zachary Quinto) em Michael Lost and Found. Sugiro ver os dois, sequencialmente.

Dirigido e roteirizado por Justin Kelly, Eu Sou Michael tem o argumento baseado no estranhamento de Michael diante da finitude e em encontrar um espaço para lhe dar com essa questão no universo gay. A jornada do protagonista não deixa de ser uma forma de resolver seu drama, mesmo que alguns possam questiona-la.

O inevitável estranhamento de Eu Sou Michael é o caminho inverso do protagonista. Sendo um militante e difusor da cultura gay, tanto como editor de revista e diretor de um documentário - ah, ainda vive uma relação a três em determinada fase -, em certo momento "volta para o armário", por questões religiosas.

O longa-metragem tem boas qualidades técnicas, as interpretações são comedidas, mas convincentes, e não existe a preocupação em ter uma direção pesada e marcante. Por isso, em pouco mais de noventa minutos têm-se uma boa história para pensar. James Franco também pode ser visto em outro filme intrigante, com tema gay, do mesmo diretor no NetFlix: King Cobra.

Michael Lost and Found
documentário de
Daniel Wilner
Já o documentário Michael Lost and Found (2017 - dirigido por Daniel Wilner) é curto e não chega a se destacar por suas qualidades cinematográficas. Mesmo assim, vale a pena ver em seguida. Após o lançamento do longa em 2015 e diante da repercussão, Bennett, ex-parceiro de Michael, vai encontrá-lo. Grava-se sua ida, a conversa deles na casa do ex-companheiro, com a esposa ao lado, e visitam a igreja dirigida pelo casal. Por incrível que pareça o tom do encontro é leve e de muitas lembranças, risos e lágrimas.

Fica claro no documentário que Michael não foi um herói que encontrou a redenção em sua jornada. De forma alguma isso desmerece ou esvazia o caminho do protagonista, mas pode esclarecer. E a última cena de Michael Lost and Foud, quando os dois ex-parceiros se despedem, é o momento mais impactante e emocionante nessa trajetória.

Os dois filmes devem ser assistidos sem procurar respostas, afinal o universo gay e a religiosidade são ainda caminhos dicotômicos, quase sem interação. É muito comum jovens deixarem igrejas, principalmente protestantes e evangélicas, quando saem do armário. Isso é fato! Sabe-se que alguns movimentos, como a Igreja Cristã Contemporânea e outros grupos, têm procurado essa aproximação. Mas, essa não foi a trilha de Michael.

Assistem, pensem e não procurem receitas fáceis e automáticas, afinal precisamos falar sobre isso!

8 de julho de 2017

Filme holandês Boys disponível no NetFlix - Blog e-Urbanidade

Filme holandês - Boys
O fato é que Boys (Jonges - disponível no Netflix) não é um daqueles filmes contundentes sobre a "descoberta" do interesse homoafetivo de um garoto pelo seu amigo. Mesmo que o estranhamento e a crise pessoal estejam ali, a diretora holandesa Mischa Kamp, nessa produção para a televisão, aposta em um ritmo lento, com paciência e foco nos detalhes para apresentar a trajetória de Sieger (Gijs Blom).

Boys parece beber de duas fontes brasileiras sobre o tema, inclusive com personagens na mesma faixa etária: Hoje Eu Quero Voltar Sozinho e Beira-Mar. Aliás, a estética do filme holandês lembra muito esse último longa-metragem brasileiro.

Boys é um filme curto, 78 minutos, mas consegue apresentar bem a história dos dois garotos e a relação familiar de Sieger, sem sobressaltos. Este parece ser o ponto alto do longa-metragem: a delicadeza em tratar a homoafetividade na adolescência. Por outro lado, a crítica especializada não gostou muito desse tom suave.

Mesmo assim, o filme tem bons elementos como produção. Os diálogos são bons e o uso de imagens e detalhes de rostos e acontecimentos fazem do roteiro um bom exemplo de uma obra audiovisual. Por exemplo, a cena em que o pai está sentado, arrasado, após o filho mais velho dizer que o odeia é tocante e consegue dizer tudo, sem nenhuma palavra (e até mesmo lágrima).

Vale assistir Boys pela qualidade cinematográfica perceptível nas imagens e na forma de contar a história. Mesmo que o roteiro aposte em um tom delicado, não deixa de fora o drama de um adolescente se perceber atraído por outro amigo. E sem querer fazer spoiler, a última cena me lembrou muito a sequência final de Hoje Eu Quero Voltar Sozinho.

Está disponível no Netflix e não deixe de ver. 

 

24 de junho de 2017

Other People disponível no NetFlix - Blog e-Urbanidade

Jessse Plemons e Molly Shannon
interpretam mãe e filho de
forma hilária e emocionante
Other People, disponível no NetFlix, conta a história de David (Jesse Plemons), escritor e gay, que volta para Sacramento para cuidar da mãe (Molly Shannon) em seu último ano de vida, diagnosticada com câncer. Essa dramédia de um pouco mais de 90 minutos, além de mostrar o declínio e o drama de uma doença tão avassaladora, tem como principal tema a relação mãe e filho.

Chris Kelly, diretor e roteirista de Other People, assina seu filme de estreia, após carreira de roteirista de televisão, como do show Saturday Night Live. Com 33 anos, espera-se que o rapaz surpreenda ainda muito em próximas produções, diante do seu ótimo script apresentado aqui.

O elenco de suporte é bem escalado, mas os grandes trunfos de Other People são as interpretações de Jesse e Molly em todos os momentos e camadas dos seus respectivos personagens. Aliás, é preciso dizer que Molly, que vem de longa experiência em comédias e no próprio Saturday Night Live, consegue mostrar uma Joanne tão real diante da sua doença que é impossível não se emocionar.

O filme estreou no festival de Sundance de 2016 e os atores Jesse e Molly ganharam o prêmio de melhor ator e atriz no Film Independent Spirit Award em 2017. Também Chris levou como melhor roteiro estreante.

Em tempo, no elenco está também Zach Woods (de Silicon Valley e The Office) em uma participação rápida, interpretando o namorado de David.

Vale a pena colocar na lista dos filmes a serem vistos no NetFlix. A história é mesmo emocionante e é possível dar algumas boas gargalhadas com a família de David e Joanne. O estranhamento e a dificuldade de conviver entre eles após tantos anos fora, tendo como ponto de contato apenas a mãe, torna Other People uma boa escolha para quem se interessa por relações familiares, amores, aceitação e autoaceitação.

11 de junho de 2017

Laerte-se (NetFlix) - documentário sobre diversidade - Blog e-Urbanidade

Igualdade e pluralismo são dois ícones da universalização dos direitos fundamentais das últimas gerações, claramente perceptível nas produções de sua época. Enquanto os anos 80 e 90 muitas criações traziam a questão do direito da mulher (por exemplo, a série brasileira Malu Mulher de 1979 - Globo), os anos 2010 trazem bons shows sobre a questão da diversidade de gênero em produções como Laerte-se (NetFlix) e Transparent (Amazon Prime Video).

Laerte-se na NetFlix

Disponível no NetFlix, Laerte-se,  realizado por Eliane Brum e Lygia Barbosa da Silva, é um olhar delicado e intimista sobre as transformações do cartunista Laerte Coutinho. É notória, principalmente pela mídia, a mudança do artista desde os anos 2005, com a morte do seu filho, em se vestir como mulher.

O que o documentário deixa muito claro é que esse novo reconhecimento de Laerte é, antes de mais nada, uma construção pessoal, sem muitas certezas e cheia descobertas diárias. Não existe na tela um cartunista construído e finalizado, muito pelo contrário, ele escancara alguns medos, traumas e até certezas feitas por caminhos nada lineares.

A documentarista de Laerte-se não tem a preocupação de ser invisível na tela. Sua interação expõe um clima de bate papo com o cartunista.

Além da exposição do caminho e do estranhamento do artista desde sua infância até a sua exposição como travesti aos sessenta anos de idade, nas relações familiares entre pais e filhos, o documentário aponta para temas diversos, como a arte, o momento político (impeachment de Dilma), os movimentos LGBT(x) e sua relação com a mídia.

Pode-se sinalizar para dois pontos altos da produção, como o paralelo feito entre a narrativa documental e os cartoons de Laerte, na transformação do seu personagem Hugo em Muriel em suas tiras. E, por fim, as cenas da nudez de Laerte deixando exposta a questão do que seja ser mulher, ou seja, é uma questão de autorreconhecimento ou está ligada aos órgãos genitais?

Vale a pena assistir para quem busca compreender melhor os caminhos e as dificuldades inerentes na questão de gênero de forma documental e realista.

Durante a semana postarei sobre Transparent, disponível no Brasil pela Amazon Prime Video

10 de maio de 2017

Chega ao cinema o novo filme de Ira Sachs: Melhores Amigos - Blog e-Urbanidade

Melhores Amigos (Little Man) do diretor Ira Sachs, roteirista e diretor de O Amor é Estranho (disponível no Now - Net) e Deixe a Luz Acessa (disponível no Netflix), acerta a mão em um filme curto, simples, com uma história potente e sem maniqueísmo na construção dos seus personagens. Sua fórmula em construir histórias que saímos do cinema sem saber de que lado ficar, parece mais refinada nessa produção.

Ao final da projeção de Melhores Amigos fiquei pensando naquelas máximas de uma boa história cinematográfica, tais como a jornada do herói e o arco dramático. Encontrar esses elementos não parece tarefa fácil, mas, sem dúvida, isso está lá. Dessa vez Sachs conta a história de dois adolescentes - interpretados por Theo Taplitz e Michael Barbieri - que ficam muito próximos e por causa de rixas familiares tem a relação envolvida.

Com certeza todo mundo deva ter um amigo de infância ou adolescência que a vida tenha distanciado, certo? E talvez esse seja o ponto de contato imediatamente feito com o expectador. É mostrado, ainda, como as relações entre os pais podem e influenciam nas amizades dos seus filhos . Assim, os atores Greg Kinnear e a chilena Paulina Garcia crescem na história e conseguem humanizar seus personagens e pontos de vista.

Não vá esperando um filme com grandes reviravoltas, interpretações memoráveis e grande clímax no final. Melhores Amigos é para assistir buscando entender a complexidade humana, as disputas de poder e o desenvolvimento de relações afetivas e, sutilmente, as homeafetivas. Tudo isso de forma leve, sensível e sem truques emocionais.

Vale a pena ver, mesmo achando que O Amor é Estranho seja um filme melhor construído.

16 de abril de 2017

Já Não Me Sinto Em Casa Neste Mundo - Blog e-Urbanidade

Aclamado no Festival de Sundance de 2017 levando o prêmio do Júri, esta produção do Netflix, Já Não Me Sinto Em Casa Neste Mundo, conta a história da enfermeira Ruth (Melaine Lynskey) afetada por todos aqueles pequenos detalhes e desventuradas típicas das cidades. Isso chega ao limite quando sua casa é invadida por um ladrão, leva seu notebook e os talheres da avó.

Naquele espírito de Um Dia de Cão, ela resolve fazer justiça, junto com seu vizinho Tony (Elijah Wood). A partir dai são mostrados acontecimentos cheios de humor negro, valendo desde uma cobra assassina a tiros que amputam a mão de um dos personagens. O diretor Macon Blair parece apontar sobre o quanto o mundo realmente pode ser tosco, o incômodo central da sua heroína.

Já Não Me Sinto... é uma película indie para se envolver com suas grandes viradas e rir da gente mesmo quando, por exemplo, chegamos à fila do mercado com uma caixa e entram na sua frente com uma compra enorme. Também valem pelas interpretações de Melaine e do sempre do garoto Elijah.

Quem sabe você possa gostar e se divirtir!

15 de junho de 2016

Magia ao Luar - filme de 2014 de Woody Allen - Blog e-Urbanidade

Cena da gração de Magia ao Luar
com direção de Woody Allen
Mesmo tardiamente, bem tardiamente diria, assisti Magia ao Luar (2014) de Woody Allen. Pela crítica não muito otimista da época fiquei com a sensação de que não valeria mergulhar na história. Mas, diante do mundo perdido do Netflix, resolvi apostar na película, já que estava catalogado como um romance. Romances em dia dos namorados é bem-vindo.

Com certeza, não é um daqueles grandes filmes de Allen. Além de esquemático e muito característico de um roteirista e diretor mais que experiente em cinema, o longa parece seguir regras bem definidas no roteiro. Por isso, para quem curte roteiros e roteirista, penso que assistir Magia ao Luar seja necessário. O diretor-roteirista caminha em fórmulas simples e quase didáticas sobre como escrever um roteiro.

Por outro lado, o filme chega a ser uma boa diversão pela sempre correta interpretação de Colin Firth e simpática Emma Stone. Na história ele é um mágico cético que é desafiado a descobrir o segredo da médium interpretada por Stone. Assim, iniciam as peripécias, ora divertidas e com bons diálogos. A redenção do personagem principal é um dos pontos altos da narrativa.

Vale a pena ver o filme sem muita expectativa, pois são boas as questões apresentadas por Allen. A questão da racionalidade e da crença na magia é um pano de fundo muito interessante, recheado de boas citações e reflexões. Além, de encontrar certo otimismo do diretor, ao defender que para um amor ser de verdade tem que haver um grau de fantasia e magia.

Eu recomendo assistir diante daquela máxima: é bom mesmo um filme ruim de Woody Allen. E também gostei da história, dos personagens e atores, das questões apresentadas e dos diálogos.

Bom filme.

Minha opinião 
:]

6 de janeiro de 2016

Catálogos 1 - Comédias - Blog e-Urbanidade

Se você fica perdido diante das opções de filmes do Netflix ou outros sistemas on-line que alugam longas, seguem alguns que assisti nos últimos dias. Quem sabe possa ajudá-lo.

Filme Enquanto Somos
Jovens
Enquanto Somos Jovens é um dos filmes mais originais e inesperados dos últimos tempos, levando em conta que as películas de "circuitão" normalmente são muito óbvias e sem grandes reflexões. Estrelado por Ben Stiller, Naomi Watts - que estão ótimos! - trata da crise pessoal originada na aproximação de um casal vinte anos mais novos que eles. Além de trazer um novo fôlego a eles, cria-se um bom espaço para discutir a maturidade e sobre um mundo que insiste em nos encaixar em modelos prontos. No Now, da Net, é possível alugar.

Filme
Sob o Mesmo Céu
Para os domingos terminarem mais leves, sugiro Sob o Mesmo Céu, que tem um elenco espetacular, entre eles, Bradley Cooper, Emma Stone, Rachel McAdams, Bill Murray, John Krasinski e Alec Baldwin. Conta o reencontro de Brian (Cooper) e Tracy (Mc Adams) que foram namorados há anos e tiveram a relação muito mal acabada. Ela, casada com dois filhos, e ele, recém-apaixonado pela capitã Ng (Stone), buscam uma forma de conviver e, quem sabe, restaurar as mágoas antigas. Na minha opinião, o filme é bem confuso na história do lançamento do satélite, motivo que leva Brian ao Havaí, onde tudo acontece. Nem por isso, deixa de ser um filme simpático, muito bem defendido pelos atores. A típica comédia romântica americana. Está disponível no Netflix.

Amor e Turbulência
Amor e Turbulência é uma comédia romântica francesa e, por incrível que pareça, se lambuza em clichês, o que é meio decepcionante. Porém, os filmes franceses sempre são interessantes, tanto pelas interpretações quanto pela realização. Os personagens de Ludivine Sagnier e Nicolas Bedos, também ex-namorados, se reencontram num voo de volta a Paris, saindo de NY. Lado a lado, começam a dar os seus pontos de vistas sobre as situações que os levaram ao fim dramático há três anos.  O roteiro é interessante ao expor acontecimentos similares sobre o olhar de cada personagem. Mas, em alguns momentos, chatinho, com uma certa "barriga" no meio. Mas traz uma boa reflexão sobre como tratamos nossos medos diante das relações sentimentais que, muitas vezes, são até mesmo de auto-boicote. Está disponível no Netflix e pode ser uma boa.

1 de dezembro de 2015

Luc Besson em duas produções fora da curva - Blog e-Urbanidade

Angel - A
Neste último fim de semana assisti dois filmes do diretor Luc Besson em trabalhos bem diferentes das suas tradicionais películas de ação: Além da Liberdade e Angel-A. Recomendo a assistir os dois e vou detalhá-los mais aqui embaixo, pois é difícil encontrar uma linha que revele o mesmo Luc em duas produções tão distintas. Mas, é possível perceber a estética de um diretor minucioso com boas fotografias, belíssimas imagens nos seus planos abertos.

Angel-A é de 2005 e é apresentado em preto e branco. Conta a história de André (Jamel Debbouze) que depois de ser perseguido por vários gangsters, decide se suicidar, encontrando, nesse momento, uma figura inusitada ao seu lado. Conta uma intricada história de amor, com um texto ora óbvio ora bom para reflexão. A produção é muito bem feita, principalmente quando usa locações de pontos turísticos da cidade (e, provavelmente, com boa pós-produção para deixar a cidade sempre vazia). O roteiro tem uma barriga, apesar de curto, e é idealizador demais (minha opinião!). Mas, vale assistir.

Além da Liberdade
Além da Liberdade conta a história da ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1991, Aung San Suu Kyi (Michelle Yeoh), sua luta pela democratização da Birmânia (que até antes deste filme não sabia onde ficava no mapa). A interpretação de Michelle vale cada segundo do longa-metragem, porém me parece que David Thewlis está um pouco equivocado no seu personagem ou construção. Eu gostei do filme e, sinceramente, me tocou muito, mas não posso deixar de dizer que é uma produção esquemática, roteiro raso e cheio de clichês. Por outro lado, é uma boa oportunidade para conhecer a história daquele país e dessa mulher. Recomendo muito a assistir, porém para dias em que não estiver muito sensível.

5 de outubro de 2015

C.O.G - o filme - Blog e-Urbanidade

C.O.G. com Jonatha Groff
Quem, em algum momento, não teve vontade de deixar tudo para trás e começar tudo de novo? E se for igual a mim, que tem hora que está cansado até mesmo de pensar-pensar-pensar, a proposta de Samuel em C.O.G cria identificação automática. A decisão de ir morar numa cidade pequena, com pessoas simples e ganhando a vida profissionalmente sem grandes elaborações cognitivas é a proposta do roteirista e diretor Kyle Patrick Alvarez.

A partir deste ponto e da chegada de Samuel (vivido pelo fofo Jonathan Groff, o mesmo de Looking - HBO) em uma fazenda de colheita de maçãs passamos a ser apresentados a um grupo de situações e personagens sempre marcados pela ruptura.

A fauna e a flora de Alvarez nos fazem pensar numa forma pessimista sobre a vida, afinal estamos sempre fugindo e partindo e, por outro lado, tem gente fugindo (e partindo) da gente. E daí, os motivos apresentados são os mais bem desenvolvidos no roteiro enxuto de media-filme. Vai do amor, sexo à religião.

O filme foi selecionado no festival Sundance de 2013 e está disponível no Netflix. É uma adaptação de um conto de David Sedaris. É um daqueles filmes que quando entram os créditos você fica pedindo mais alguns minutos, com alguma explicação. Mas, desista! Vá pensar um pouco e descubra todas as qualidades desde filme, com menos de 1h30, mas cheio de verdades sobre as rupturas tão necessárias para a nossa sobrevivência, fuga e descoberta de nós mesmos.

Vale pelo filme, pelo elenco e roteiro. E depois de assistir, escreve algo me contando...

16 de setembro de 2015

Precisamos Falar sobre Kevin - filme e livro - Blog e-Urbanidade

Os vários Kevins de
Precisamos Falar sobre Kevin
Quando foi lançado o filme Precisamos Falar sobre Kevin no Brasil e tendo no elenco a sempre competente Tilda Swinton não consegui ir. Mais uma falha na minha carreira falida de cinéfilo. Pois bem, há alguns meses chegou nas minhas mãos o livro homônimo do autor Lionel Shriver lançado em 2003 e que inspirou a montagem cinematográfica.

Fiquei impressionado com a qualidade literária de Lionel ao fazer toda a sua obra a partir de cartas de Eva (interpretado por Tilda no cinema) para o marido Franklin (John C. Reilly, no cinema). A impressionante busca da mulher em encontrar os motivos que fizeram seu filho a matar várias pessoas, fazendo uma clara analogia ao massacre de Columbine (e outros...), é construída a partir da relação mãe e filho e das culpas pessoais. Sim, um possível motivo!

Por outro lado, após a leitura fiquei pensando em como seria o roteiro cinematográfico sem perder as nuances psicológicas daquela mulher atormentada. Graças a Santa Netflix mergulhei nesta viagem, com uma apresentação estética centrada no (sangue) vermelho exposto e a todo momento manchando os caminhos da mulher-mãe. Muitas vezes incomoda estar na pele de Eva.

Tilda merecia concorrer ao Oscar, mas não chegou lá. Os críticos dizem que por causa do incômodo que tais histórias ainda causam na sociedade norte-americana. Mas, o filme (nem o livro) não pretende(m) ser conclusivo(s), até porque não exista mesmo algo a explicar.

Em minha opinião o filme aposta mais num complexo de Édipo de Kevin, o livro, por outro lado, na culpa de uma mãe por não ter desejado tanto aquela criança. Mesmo assim, as duas visões são contundentes, muito bem defendidas e vale cada página ou minuto.

O filme acerta em várias coisas, como já disse, na interpretação de Tilda e na de Ezra Miller, que faz um Kevin enigmático e cruel, mas humano. O roteiro é daqueles de poucas palavras, duro e seco, como merece o tema.

Então recomendo o livro,para quem assistiu o filme e vice-versa. Uma dos bons achados no mundo perdido do Netflix e das livrarias.


4 de agosto de 2015

Filmes para chorar e pensar retratando duas fases distintas da vida - Blog e-Urbanidade

A dica é para quem fica perdido no mundo do Netflix sem saber o que escolher. Assisti dois filmes muito bacanas e gostaria de recomendar aqui.

As Vantagens de Ser Invisível foi lançado em 2012 e não é uma simples história de adolescentes, apesar de estar centrada nas mudanças de Charlie quando entra no Ensino Médio. O elenco é de tirar o chapéu, incluindo a bonitinha Emma Watson, saindo do limbo de Harry Porter. Até mesmo nas participações especiais, a produção não economiza na qualidade dos atores. Vale pela direção, roteiro adaptado pelo próprio autor do livro e as músicas marcantes para as mais variadas cenas. Destaque à música final: Heroes de David Bownie. Assistam!

O Quarteto
O Quarteto, por outro lado, conta a história de um grupo de velhos que moram em uma casa apenas para músicos. Estrelas da música, hoje, esquecidos, o filme retrata a velhice, solidão e a vaidade, que infelizmente nos atrapalha profissional e amorosamente. O elenco é estrelado por Maggie Smith (mais uma estrela do Harry Porter, que interessante, não?!). A bem feita fotografia é ajudada por pelas imagens do interior da Inglaterra e a direção de Dustin Hoffman é correta. Não é um filme pra chorar, mas para rir, às vezes, e pensar, pensar, pensar. Ah, também vale assistir para curtir boas atuações com muita música boa.

27 de abril de 2015

Grandes Olhos - a tentativa de Tim Burton não ser Tim Burton - Blog e-Urbanidade

Grandes Olhos
Grandes Olhos teria tudo para ser um ótimo filme. Dirigido pelo interessantíssimo Tim Burton (Alice no País das Maravilhas, A Fantástica Fábrica de Chocolate e Edward Mãos de Tesoura), estrelado por Amy Adams e Christoph Waltz, com uma história, no mínimo, curiosa, na verdade, patina, patina e não deixa de ser apenas uma biografia com cara de telefilme.

Nos anos 50 fizeram sucessos as imagens de crianças, um tanto depressivas, com grandes olhos, em situações diversas. Além, de obras de artes, a sua popularização com encartes ou diversos tipos de publicações enriqueceram os criadores. Sim, criadores porque as obras foram assinadas por Keane, marido de Margaret, a verdadeira autora que termina processando o esposo por isso.

Se você imagina que irá ver um daqueles típicos filmes de Burton, esqueça. Nada disso. A estética do diretor está totalmente fora desta montagem. E o que poderia ser interessante, acaba sendo um filme burocrático, sem grandes surpresas ou cenas.

Os atores estão bem, apesar de também previsíveis e criarem seus personagens em perfis já vistos por eles em outras películas. O roteiro de Grandes Olhos apresenta de forma sequencial, às vezes até didática, os fatos que envolveram os Keane`s.

Vale a pena assistir? Sim, para conhecer a história e por Burton, na sua busca de fugir do seu "padrão" estético. No mais, é um filme sem grandes atrativos.

8 de janeiro de 2015

Um pouco de filmes... - Blog e-Urbanidade

Férias são férias, certo? Profundo, não?! Pois é, nos diazinhas que tive fui figura marcada quase diária. Vejam algumas opiniões curtas e rápidas sobre minhas impressões de algumas películas:

Sétimo
Sétimo - Nem todo filme argentino está com a bola toda. Esse tem um bom ator, mas previsível demais. Quase pedi meu ingresso de volta. Fora que algumas coisas, além de óbvias, não se  amarraram no final. Tem suspenses bem melhores por aí.
Minha opinião 
: |









Boyhood
Boyhood - Reconheço que era bom ter quinze minutos a menos de filme, longo! É a história de um garoto contata durante doze anos, porém com os mesmos atores. Assim, vamos acompanhando na tela a mudança da família e do garoto e sua irmã. Bom filme, boas reflexões e ótima realização. Compre um pacote grande de pipoca!
Minha opinião 
: )







Quero Matar meu Chefe - Que filminho ruim, heim?! Pra fazer tanto sucesso nos Estados Unidos, devia ser bem melhor. E ainda a Jenniffer Aniston topou fazê-lo? Sem graça, sem nexo e ainda quer ser cool. Não gaste seu tempo no Netflix.
Minha opinião 
¬¬

Pecado da Carne
Pecado da Carne - Filme seco, sem trilha sonora para emocionar (ponto positivo!) e real. A relação homoafetiva numa comunidade em Jerusalém. Bom, mas não vá esperando final feliz. Tem no Netflix.
Minha opinião 
:]

Acho que por hora é isso!

24 de outubro de 2010

O filme Comer Rezar Amar - Blog e-Urbanidade


Comer, Rezar e Amar não poderia ser um filme diferente. Quem foi ao cinema esperando muita emoção ou reviravoltas entrou na sala errada, pois os sinais de que as coisas não seriam assim estão impressas já no nome do dito cujo.

O sucesso do filme se deve a várias coisas que a gente pode chamar de marketing. Um livro que fez certo sucesso, uma grande atriz – Julia Roberts – como protagonista e muito material solto na imprensa. Desde matéria de capa em revista de grande circulação semanal tratando do tema casamento – assunto do próximo livro da autora – e entrevistas da grande estrela em programas semanais.

Assim, eu que acompanho os twittes dos amigos pela internet, vi gente saindo da sala falando mal e outros amando. Eu reconheço que fui muito tranquilamente, esperando o que ia assistir. É um filme bonitinho, poderíamos dizer. Cheio de boas mensagens que nos fazem pensar um pouco. Saí da sala cheio de coisas reflexões.

Júlia Robert não tem uma grande atuação, afinal ela já provou que é uma ótima atriz e sabe muito bem ser natural, quando um personagem pede. Apenas o ritmo chega a ser lento demais em alguns momentos. Tive a mesma sensação quando se assiste a um filme europeu: boa história e tudo muito demorado. Também não dá para esperar muita ação quando a história principal gira em torno de uma mulher que busca boa comida e iluminação espiritual.

O que decepciona um pouco é o namorado brasileiro que a personagem encontra em determinado momento, interpretado por Javier Bardem. Não sou daqueles que acha que teria que ser um ator brasileiro, pois Javier representa muito bem o homem latino. Mas o sotaque e algumas tiradas estranhas, tais como, que aqui no Brasil todo mundo beija na boca ao se cumprimentar, assustam um pouco.

Talvez vocês já tenham ido ver, por isso deixe seu comentário aqui. Se não foi, hoje, domingo, por exemplo, é um bom dia para pegar a programação e assistir. Sempre bom começar a semana com histórias que nos falam sobre amor, relacionamentos e nos deixam com certa esperança no coração.

É um bom filme também para os casados e namorados de longa data. Talvez eles se identifiquem mais com os personagens e as confusões de um relacionamento duradouro. Por isso, eu recomendo essa comédia romântica que é uma das únicas boas opções do cinema, para quem já viu Tropa de Elite 2 (crítica do filme logo abaixo) e não quer se aventurar as açucaradas histórias americanas que estão nos display das salas de exibição.

22 de junho de 2009

Intrigas de Estado, Minhas Adoráveis Ex-Namoradas e Mulher Invisível - Blog e-Urbanidade

 Intrigas de Estado foi o primeiro deles e assisti por uma coisa que sempre faço, decido por um filme e acabo comprando pra outro. Por puro erro ou burrice, ainda bem que não me dei mal, até hoje. No máximo que já me aconteceu foi entrar num filme dublado quando queria assistir o legendado.

Mas Intrigas é um filmaço, daqueles que não tinha visto há muito tempo. Cheio de reviravoltas que ótimos atores: Jason Bateman, Rachel McAdams, Ben Affleck, Russell Crowe, Robin Wright Penn, Helen Mirren, Jeff Daniels.

Russel está feio demais, mas está bem. Agora o show é de Helen Mirren (A Rainha) e Rachel Mc Adams.

Bom filme para quem se sente órfão daquelas histórias cheias de reviravoltas e que eram tão vistos na década de 80 e 90.

Minhas Adoráveis ex-Namoradas – filminho ruim pra caramba! Tipo Sessão da Tarde mistura com sessão espírita. Quando entrei para a sala e começou a história fiquei em pânico. Será que vai demorar?

O elenco é bom demais para ser verdade e toparem fazer aquilo, entre eles, Matthew McConaughey, Jennifer Garner e Michael Douglas. Sabe uma história que só chegou “as paradas de sucesso” pelos atores principais? Do contrário amargaria o esquecimento.

Sinopse: O fotógrafo de celebridades Connor Mead (McConaughey) adora liberdade, diversão e mulheres, nesta ordem. Um solteirão convicto! Às vésperas do casamento de seu irmão mais novo, quando está prestes a arruinar a união, Connor recebe a visita dos “fantasmas” de suas ex-namoradas que o levam a uma hilariante e reveladora odisséia, visitando seus desastrosos relacionamentos do passado, presente e futuro! Juntas tentarão descobrir o que transformou Connor num idiota insensível e se ainda há esperança dele encontrar o verdadeiro amor ou se é uma causa perdida.

Mulher Invisível – Diversão na certa ou seu dinheiro de volta. A comédia romântica estrelada por Selton Mello e Luana Piovani é muito bacana. O bom resultado do filme é potencializado por causa da escalação de Fernanda Torres. Nas melhores cenas e mais divertidas lá está ela.

Após uma desilusão amorosa, Pedro (Selton Mello), um romântico incurável, acredita ter encontrado a mulher ideal: Amanda (Luana Piovani), sua bela, amiga e dedicada vizinha. Ao mesmo tempo, seu amigo Carlos (Vladimir Brichita), pragmático, não acredita em amor e o desencoraja a investir numa relação com uma mulher que ninguém conhece. Mas Pedro está, definitivamente, apaixonado... E ela é maravilhosa. Pelo menos até Pedro começar a desconfiar de que ela tem um único mas terrível defeito – Amanda não existe!