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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Aquarius - filme com Sônia Braga

As redes sociais e a crítica estão elogiando o filme Aquarius em todos os sentidos, ora pela interpretação de Sônia Braga ora pela belíssima história contada pelo diretor Kleber Mendonça. É difícil dizer o que mais agrada, mas a genialidade do roteiro é, pra mim, seu ponto mais forte. 

Sei que algumas pessoas estão gritando "Fora Temer" em algumas apresentações e lá se vão alguns gritos de ordem, como se Clara, personagem de Sônia, estivesse a esse serviço. Talvez a relação tenha sido pela manifestação do elenco no lançamento em Cannes, mas penso que para por ai. No mais, Aquarius é uma crítica a classe média, em que estamos muitos de nós que lemos e fazemos blog, do qual a protagonista também faz parte. Só resta saber para que lado ir e com que armas vamos lutar. 

Quando o letreiro subiu, fiquei alguns minutos em silêncio, impactado com a última cena. Quem, de alguma forma ou outra, não gostaria de terminar algumas situação de forma tão cartática?

Clara é uma senhora de 65 anos que tem uma construtora à sua porta querendo comprar o último apartamento para começar um grande empreendimento à beira da praia de Boa Viagem, Recife. Assim, essa mulher, muito bem alfabetizada, come todas as refeições diárias, tem empregada doméstica, paga por sexo e que pode levar dois milhões pelo imóvel, nega todas as propostas. 

A partir construí-se uma história em que são apresentados elementos de uma sociedade brasileira tão diversa e que a instrução nem sempre significa a capacidade de entender o outro. Aliás, cidadania, para Aquarius, talvez seja a capacidade de se colocar no lugar do outro e "lutar" com "armas" honestas para mudar algo ou alguém.  

Algumas cenas são muito interessantes, como a sugestão de Maria Bethânia para o sobrinho, assim como o papo sobre o filho morto da empregada doméstica que é reduzida a monossílabos na cena da praia, entre Clara, sobrinho e namorada dele. Ali ficamos com aquela sensação clara de que andamos ficando muito frios com o sofrimento do outro. 

Não tenho dúvida em recomendar o filme. Mais um emblemático e importante filme sobre o Brasil que a gente conhece, mas que não quer ver. 


domingo, 28 de agosto de 2016

De Onde Eu te Vejo

De Onde Eu te Vejo, filme com Denise Fraga e Domingos Montagner, dirigido por Luiz Vilaça, tem me rondado desde sua estreia. Mesmo com a atriz principal, como vários outros artistas, falar que era necessário ir na primeira semana, pois isso traduz a manutenção de um longa em uma sala, não fui!

Agora no Now, da Net, fui ver, mas quase desisti minutos antes, pois vi o trailer, novamente, e ele é quase um spoiler do próprio filme. Achei que não tinha muito o que ver. Mas, vamos falar do dele, certo?

O início é meio chatinho, textos longos e sem liga, mas de repente a história de Ana Lúcia e Fábio, que vivem juntos há vinte anos e resolvem se separar,  nos pega. Como já tive relacionamentos longos, me identifiquei com as lembranças do casal dos restaurantes e até mesmo do pão francês do parceiro (a).

O que tem de bom em De Onde Eu te Vejo? O tom dos atores principais, o bom ritmo de Manu (Manoela Aliperti), filha do casal. Imperdível a cena em que Ana Lúcia e Fábio deixa a filha em Botucatu, para estudar, e eles voltam no caminho chorando. Também, os últimos minutos fazem toda a diferença na história.

Não chega a ser um filme marcante, mas é uma bela história para quem curte São Paulo. Falta amarrar algumas narrativas, como o relacionamento de Manu e o namorado e o romance de Ana Lúcia com Marcelo (Marcelo Airoldi).

Vale pela diversão, pelos bons momentos, belíssima fotografia de São Paulo e boa e velha discussão sobre a novidade e inexorável realidade de que a vida passa e "o novo sempre vem".

Bom filme!

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

MINHA LUTA 2 - UM OUTRO AMOR

É verdade que já fui melhor leitor ou, pelo menos, lia mais volumes por ano, mas também me meti numa encrenca: ler o segundo livro do badalado autor norueguês Karl Ove, A Minha Luta 2 - Um Outro amor; após o primeiro volume. O tom de desagravo não vai pela qualidade literária do livro, obviamente, pois nem me meteria nesta seara, mas porque Karl, em seu segundo livro, conta suas histórias em quase 600 páginas e isso com o trabalho e o dia a dia não é tarefa fácil.

Mesmo assim, Karl Ove continua Karl Ove, como já mencionei sobre seu primeiro livro aqui (leia a resenha do A Minha Luta 1 - A Morte do Pai). Escrevendo em primeira pessoa, sempre nos deixando em dúvida o quanto é real ou ficção, desta vez navega pela repetitivas questões de relacionamento e família.

Neste volume conta sobre seu casamento com Linda, após uma separação, e seus três filhos e assim, como a rotina tão presente na relações amorosas e familiares podem nos consumir grandemente nos detalhes da vida.

Os bons momentos do livro estão nas descrições detalhadas do cotidiano, por exemplo, da difícil tarefa de participar de um encontro entre amigos com três crianças e como, tão pequenas, são capazes de dominar (para o bem e para o mal) a vida dos adultos.

Não posso deixar de confessar que, em alguns momentos, cansa um pouco o detalhismo de Karl Ove, enquanto no primeiro livro ficou páginas e páginas limpando a casa do pai, agora ele se dedica na difícil rotina entre a vida doméstica e a tentativa de escrever.

Recomendo, sempre, a série Minha Luta que tem já seu quarto livro publicado no Brasil, enquanto eu parto para o terceiro, porém após um descanso. Afinal, tem horas que a gente precisa navegar em outras obras.

Boa leitura.


UM OUTRO AMOR - Minha luta 2
Tradução:  Guilherme da Silva Braga
Páginas 592
Companhia das Letras

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Vem aí a Bienal do Livro de São Paulo...

A Bienal Internacional do Livro de São Paulo, realizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), chega à sua 24ª edição, com atrações multiculturais voltadas para celebrar a leitura. O evento que ocorre entre 26 de agosto e 4 de setembro de 2016, no Anhembi, reunirá as principais editoras, livrarias e distribuidoras, e trará ao público atrações exclusivas, com presença de autores nacionais e internacionais, lançamentos de livros, tardes de autógrafos, oficinas, brincadeiras e debates.

“Existem várias Bienais dentro da Bienal do Livro e queremos que cada visitante descubra a sua. Para os mais cults, conversas com autores conceituados no Salão de Ideias, para os mais jovens, presença de best-sellers de literatura Young Adults na Arena Cultural; para os fãs de gastronomia, oficinas no Cozinhando com Palavras; para as crianças, muita diversão e literatura infantil no Espaço Mauricio de Sousa e BiblioSesc, e por aí vai” afirma Luiz Antônio Torelli, presidente da CBL.

Para a criação da programação cultural, além da própria Câmara Brasileira do Livro, o evento contará novamente com a curadoria do SESC São Paulo e do Itaú Cultural. Juntas, as instituições serão responsáveis pela programação do Salão de Ideias, que contemplará discussões atuais e de amplo interesse com escritores, pensadores e artistas, abordando temas de relevância social e cultural.

Na Arena Cultural, os visitantes terão o contato com autores de best-sellers, nacionais e internacionais, em bate-papos e palestras exclusivas. Nomes como Lucinda Riley, Ava Dellaira, Jennifer Niven, Amy Ewing, Tarryn Fisher, Marian Keyes estarão presentes nesse que é o maior espaço do evento.

Focado no público infantil, o Espaço Mauricio de Sousa trará diversas atividades interativas, com brincadeiras, teatro de fantoches, pinturas e desenho, além de uma exposição sobre os 80 anos do criador da Turma da Mônica.

O Auditório Edições Sesc São Paulo traz uma programação ligada ao universo do livro e conta com atividades interativas para crianças e adultos, encontros com youtubers, profissionais da área de edição, e apresentações de teatro e música. O SESC São Paulo também trará para o evento duas unidades móveis do BiblioSesc: Praça da Palavra e Praça da História, caminhões-biblioteca com uma programação que vai de contação de histórias a espetáculos de música e literatura, sempre buscando o prazer de ler e de ouvir uma boa narrativa. Para os amantes da gastronomia, o Cozinhando com Palavras chega à sua 4ª edição na Bienal do Livro. Com curadoria do chef André Boccato, o espaço une culinária, literatura e cultura, em uma verdadeira gourmet experience, estilo sarau.

Para discussões sobre o setor editorial, o Espaço Ignácio de Loyola Brandão trará debates institucionais sobre temas como, direitos autorais, políticas públicas, lei brasileira de inclusão, produção e vendas no setor e a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. O espaço foi pensado e criado especialmente para homenagear o escritor que completa 80 anos esse ano, vencedor de vários Prêmios Jabuti e que recentemente foi agraciado com o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras.

Em parceria com a Câmara Cearense do Livro, o Espaço Cordel e Repente dá visibilidade a rica literatura regional, trazendo dois dos principais movimentos artísticos culturais do Nordeste, que também servem de inspiração para outras artes. O Espaço apresentará cordelistas e repentistas para debates e apresentações. Os fãs também terão a chance de conhecer e pegar autógrafos de seus autores preferidos. Serão três espaços: a Arena de Autógrafos, que receberá os escritores da Arena Cultural, e a Área de Autógrafos 1 e 2 com autores convidados pelos expositores do evento. Para maior conforto do público, as senhas para autógrafos da Arena e da Área de Autógrafos serão distribuídas gradualmente pelo site da Bienal do Livro, dias antes do evento começar.

Além da programação multicultural, a Bienal do Livro quer trazer aos seus visitantes mais conforto e segurança. Este ano, a área de circulação será maior, com ruas mais largas de até 10 metros. Para receber as sessões de autógrafos, foram criados mais dois espaços, além da Arena de Autógrafos, que havia na última edição.

O evento será completamente acessível, com rampas de acesso em todo o pavilhão. A área de alimentação aumentou em 30%, além de carrinhos volantes e vending machines.

O evento conta ainda com 280 expositores, autores e editoras independentes. Entre os nomes confirmados estão: Grupo Autêntica, Companhia das Letras, Editora Cortez, Distribuidora e Edições Loyola, Editora Melhoramentos, Editora Moderna, Editora Novo Século, Panini, Grupo Record, Editora Rocco, Saraiva e Sextante.

Serviço
24ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo
26 de agosto a 04 de setembro de 2016
Pavilhão de Exposições do Anhembi                    
Av. Olavo Fontoura, 1.209 - Santana
02012-021 São Paulo – SP

Ingressos
Os visitantes podem fazer a compra antecipada pelo site http://www.bienaldolivrosp.com.br, ou pontos físicos da Tickets For Fun. Até 25 de agosto, serão disponibilizados três pacotes com descontos especiais:

o   Pacote Galerinha: Compre 10 ingressos meias-entradas e ganhe 10% de desconto;
o   Pacote Galera: Compre 5 ingressos inteiros e ganhe 20% de desconto;
o   Pacote Família: Compre 3 ingressos inteiros e ganha 10%.

2ª feira a 5ª feira: R$ 20,00
6ª feira a Domingo: R$ 25,00
Meia-entrada: Estudante / Funcionário SESC SP e matriculados no SESC SP credencial plena
Menores de 12 anos e maiores de 60 não pagam ingresso

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Meu Filho, Lady Gaga está de volta

Foto: Divulgação
A comédia Meu Filho, Lady Gaga está de volta.  A divertida montagem conta a história de uma família brasileira em que o filho sai de casa jovem para estudar ballet na França e anos depois volta trabalhando como performer oficial da Lady Gaga.

Com isso, refletimos as relações familiares, a política brasileira, minorias, homofobia, preconceito, guerra de classes, desigualdade social, xenofobia, corrupção e até o famoso “jeitinho brasileiro”. Isso tudo em uma trama leve, divertida e engraçada.

Lembrando que a peça não conta a história de vida da cantora.

Serviço: 
Texto e Direção: Genes Holder.
Diretor de Produção: Ronaldo Saad.
Assistente de Produção: Cassio Tadeu
Em breve!

terça-feira, 5 de julho de 2016

Enquanto Todos Dormem chega a São Paulo

Pedro Andrade e Luíz Gustavo Silva, soldados do exército, são convocados para um treinamento em local distante de onde moram. Longe de suas famílias e confinados em um ambiente hostil, eles compartilham suas angústias e a expectativa de um combate iminente.

Em contraponto à tensão, surge a cumplicidade, o respeito e a admiração entre os dois jovens, afeição que os leva a viverem aventuras íntimas.

Conflito e leveza norteiam a trama do espetáculo, uma produção da MACA Entretenimento (RJ), que chega a São Paulo, no Teatro Augusto, para três apresentações.

Sobre a história:

Cenografia e sonoplastia transformam o palco em uma base militar do ano de 1938, localizada no Peru. Ao longo dos sessenta minutos de espetáculo, as lembranças vividas por Pedro, ao lado de seu parceiro, Luíz, são trazidas à cena. Por meio dos diálogos, entremeados de contrastes, é revelada a instigante amizade entre dois rapazes que se transforma em um romance explosivo. “Isto porque se trata da vida de dois garotos cheios de sonhos, inseridos em um contexto nada favorável”, explana Thiago Cazado, que assina o 10° texto de sua carreira.

A angústia velada se esvai nos momentos de descontração entre os dois, “válvula de escape para os dias duros e que faz as personagens se unirem, como se um encontrasse no outro um motivo bom para estar ali”, conta o autor. Pedro, a personagem central da trama, é tímido e reservado. Ele desenvolve por Luíz uma admiração e o toma quase como um ídolo, pois é Luíz quem o apresenta a um mundo de liberdade e adrenalina, com pitadas de provocação sexual. Tal comportamento de Luiz leva Pedro a enxergá-lo como um "oponente desafiando sua libido".

Este é o segundo espetáculo com temática envolvendo a diversidade sexual produzido pela MACA entretenimento. A produtora também é envolvida em produções cinematográficas e já reúne mais de 700 mil views no You Tube.

Em março de 2016, por exemplo, a MACA produziu o filme curta metragem Tenho Local, já com mais de 250 mil views em dois meses de publicado. O filme irá virar um longa metragem, com roteiro já pronto e que será gravado.

Em sua última passagem por Fortaleza, Enquanto Todos Dormem esgotou todas as sessões e deixou muita gente de fora, e conquistou o público. Depois de São Paulo, o espetáculo segue para Belo Horizonte.

Quem apresentar o flyer impresso ou eletrônico na bilheteria do teatro, garante a meia-entrada (R$ 20,00). O flyer eletrônico está disponível na página do Facebook da Maca

Texto e direção: Thiago Cazado
Elenco: Renan Mendes e Thiago Cazado
Assistente de direção: Luiza Pomar
Produção: Marina Falcão
Produtor associado: Mauro Carvalho
Cenografia: Armando Araújo
Iluminação: Ludmila Maria
Trilha sonora: Joaquim Menezes
Contra-regra: Maria Soares
Realização: Maca Entretenimento Enquanto Todos Dormem

Serviço:
Enquanto Todos Dormem
Dias: 08 a 24 de Julho.
Horários:
- Sextas e sábados às 21h30
- Domingos às 19h
Local: Teatro Augusta - R. Augusta, 943 - Cerqueira César, São Paulo - SP, 01305-100
Telefone:(11) 3151-4141
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)

* pagam meia entrada: estudantes; professores da rede pública de ensino; menores de 21 anos; pessoas maiores de 65 anos; e pessoas munidas de panfleto (é possível imprimir o panfleto na página da peça: www.facebook.com.br/macaentretenimento
Vendas: Online pelo site www.compreingressos.com.br ou na bilheteria do teatro.
Classificação indicativa: 16 anos.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Marguerite - a versão francesa da história de Florence Foster

Marguerite, filme que concorreu em 11 categorias ao César (o Oscar francês), não conta a história de uma mulher que não sabia cantar, mas é uma fábula, com pitadas de sátira, sobre o poder nos mais diferentes níveis, do cultural ao social. E alguns podem ir mais além, Marguerite é um convite a discutir sobre a beleza e que não deixa de ser um grande arranjo social (e também de poder).

O filme do diretor Xavier Giannoli é um mergulho a camadas e mais camadas sobre a alienação humana e social, sendo que o melhor disso, mesmo diante do jocoso, a direção não se espalha na caricatura. Em alguns momentos, diante da exposição das cenas e do prolongamento de algumas tomadas, a gente até sente um pouco culpado em rir, livremente, de Marguerite.

Na construção do roteiro estão histórias muito interessantes, por exemplo, a falsa sociedade e seu comprometimento com algo enquanto lhe é favorável; um jornalista falso e que até elogia Marguerite em troca de algum lugar nessa sociedade; a moça boa cantora, porém sem plateia (bem diferente de Marguerite); a busca da heroína pelo olhar do outro e do seu marido; a incapacidade que temos de nos ouvir; a falsidade do mundo... São tantos os temas que, com certeza, eu não conseguiria esgotá-los.

Eu apenas sugeriria que o filme tivesse vários minutos a menos. Em alguns momentos o filme cansa um pouco. Assumo, cochilei! Mas, Marguerite é surpreendente na sua reconstrução histórica e na capacidade de nos deixar, até o último minuto, sem imaginar uma saída possível para a saga toda.Tenho certeza que Holywood, no filme estrelado por Meryl Streep e tem a história baseada nessa mesma mulher, não conseguirá dar tantas camadas em tal produção.

Não deixem de ver!

Minha opinião
:)

terça-feira, 21 de junho de 2016

Sense8 - imperdível

Os amigos mais próximos sabem da minha impaciência para acompanhar seriados e suas longas temporadas na tevê. Me atrevi a assistir algumas, fiquei até o fim em poucas e várias, deixei pelo caminho. Porém, depois de falarem tanto no tal do Sense8, resolvi investir. E só parei quando os últimos créditos do episódio 12 apareceram.

Sense8 é uma produção da NetFlix que reúne o que há de melhor: dirigida, escrita e produzida pelos irmãos Wachowskis (saga Matrix) e por J. Michael Straczynski (Babylon 5). Partindo do conceito da ressonância límbica (capacidade que os mamíferos têm de entrar em sintonia com as manifestações internas do outro), oito pessoas espalhadas pelo mundo se conectam a partir da morte de Angélica (Daryl Hannah). Diante da fraqueza de cada um, eles vão se tornando fortes a partir da força do outro, por uma conexão desconhecida, revelada aos poucos.

O que é fantástico em todo o texto é a construção profunda dos personagens, com seus pontos fortes e fracos.

Rilley (Tuppence Middleton) é a mocinha, fraca, cheia de conflitos, mas determinada em muitos momentos, começa vivendo na fria e cinzenda Londres e se apaixona por Will.

Will (Brian J. Smith ) é o mocinho, determinado, forte, corajoso, atormentado pelo esteriótipo do pai e mora em Chicago.

Wolfgang (Max Riemelt) é frio e destemido, por isso mora na fria Berlim. No último episódio se revela impressionantemente frio (!!!!!!). Muito interessante o contraponto romântico dos roteiristas, criando uma paixão entre ele e Kala.

Kala (Tina Desai) seu ponto forte é a fé, mas é cientista e vive a crise da possibilidade de um casamento não desejado, cheio de intolerância religiosa  e mora na Índia.

Capheus (Aml Ameen) é o cara esperto e que mora Quênia, quase um brasileiro, trabalha para comprar os remédios da sua mãe, dirigindo pela cidade.

Sun (Doona Bae), coreana, boa de luta, tem tudo para ser a mulher frágil e rejeitada, mas é a grande lutadora e sempre presente nas melhores cenas de ação.

Nomi (Jamie Clayton) é transgênero e mora, claro!, em São Francisco. É interpretado por um ator também transgênero, é hacker e tem uma relação com uma mulher.

Lito (Miguel Ángel Silvestre) é o machão, dramático, por isso seu personagem está na cidade do México. Ator de novela mexicana interpretando personagens viris e vive uma relação com um rapaz sensível.

Neste emaranhado de personagens, com níveis e subníveis dos personagens e histórias, Sense8 tem momentos espetaculares. São lutas, para quem gosta de ação; excelentes textos que vão desde questões afetivas e pessoais a diferenças culturais. Fique de olho, por exemplo, no episódio que há uma grande discussão sobre o amor e relacionamentos quando Lito se separa (maravilhoso!). Para os mais afoitos, fique de olho na cena de sexo grupal entre alguns dos sensates.

Tudo bem que o telespectador tem que ter mente aberta, já que mais um dos trunfos do seriado é da impossibilidade de limites, trazendo à discussão questões como homofobia, intolerância a grupos minoritários (gays, negros, mulheres e religiosos). E isso fica bem perceptível quando a gente ri do diálogo entre Lito e Will ao defender que eles já se conhecem, no último episódio.

A segunda temporada está chegando. Quem não assistiu, não perca tempo, mas recomendo começar a assistir no fim de semana, do contrário poderá ficar preso até alta madrugada e o seu dia seguinte estará comprometido (digo por experiência própria!)

Pra terminar, Sense8 é uma bela oportunidade de fazer o que Capheus explica para Rilley em um dos seus encontros. Como é possível um sujeito tão pobre não ter uma boa cama, mas comprar uma tevê de última tecnologia e assim ele explica: a cama deixa o cara no Quênia e a televisão o leva para longe do Quênia. E como estamos precisando disso nestes dias...


segunda-feira, 20 de junho de 2016

HISTERIA - O ENCONTRO DE FREUD E DALÌ

Foto: Priscila Prade/Divulgação
Histeria, peça que está em cartaz no TUCA, aqui em São Paulo, já se entra cheio de expectativas por seu um texto elogiado em várias montagens pelo mundo, tem direção de Jô Soares e reúne atores e técnicos de primeira.

Mesmo não sendo um texto fácil, o dramaturgo britânico Terry Johnson chega aqui com tradução e adaptação feita pelo diretor Jô Soares. A montagem de sucesso dirigida nos Estados Unidos por, nada mais nada menos, John Malkovich, tem como ponto de partida o encontro que aconteceu entre Salvador Dali e Freud, um pouco antes do início da Segunda Guerra.

Cassio Scapin (Dalí) e Pedro Paulo Rangel (Freud) estão impecáveis em cena, até mesmo o tom acima de Scapin, no início, quase caricato, facilita a imersão ao texto. Sem falar que os dois atores que dão suporte, Erica Montanheiro e Milton Levy, são extremamente eficientes. Confesso, que em alguns momentos, tive a sensação que Erica levava a peça diante da sua exuberância, atuação e importância dentro do texto.

A direção de Jô Soares é extremamente firme e presente. Sem falar nos grandes apoios técnicos: figurino, cenografia, sonoplastia e iluminação. O ponto alto disso tudo é quando Freud  entra em seu inconsciente, com apoio áudio-visual impressionante.

Não tem como não recomendar o espetáculo! Mas prepare-se para duas horas de um texto nem sempre palatável. Tive dificuldade em entender algumas falas, porém por causa de dicção. Mesmo assim, as questões que nos levam a refletir sobre a teoria freudiana, incluindo pontos como o inconsciente, histeria, medos, fé, Deus, surrealismo (aqui por meio de Dalí), etc, vale cada centavo do ingresso.

Bom espetáculo.

Minha Opinião 
:D

Ficha Técnica
Histeria 
Sexta e sábado, 21h, domingo, 19h. 105 min.
Até 31/7/2016
Teatro Tuca – Rua Monte Alegre, 1024, Perdizes, São Paulo,
tel. 11 3670-8455
R$ 50 (sexta), R$ 60 (sábado) e R$ 70 (domingo)

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Magia ao Luar - filme de 2014 de Woody Allen

Mesmo tardiamente, bem tardiamente diria, assisti Magia ao Luar (2014) de Woody Allen. Pela crítica não muito otimista da época fiquei com a sensação de que não valeria mergulhar na história. Mas, diante do mundo perdido do Netflix, resolvi apostar na película, já que estava catalogado como um romance. Romances em dia dos namorados é bem-vindo.

Com certeza, não é um daqueles grandes filmes de Allen. Além de esquemático e muito característico de um roteirista e diretor mais que experiente em cinema, o longa parece seguir regras bem definidas no roteiro. Por isso, para quem curte roteiros e roteirista, penso que assistir Magia ao Luar seja necessário. O diretor-roteirista caminha em fórmulas simples e quase didáticas sobre como escrever um roteiro.

Por outro lado, o filme chega a ser uma boa diversão pela sempre correta interpretação de Colin Firth e simpática Emma Stone. Na história ele é um mágico cético que é desafiado a descobrir o segredo da médium interpretada por Stone. Assim, iniciam as peripécias, ora divertidas e com bons diálogos. A redenção do personagem principal é um dos pontos altos da narrativa.

Vale a pena ver o filme sem muita expectativa, pois são boas as questões apresentadas por Allen. A questão da racionalidade e da crença na magia é um pano de fundo muito interessante, recheado de boas citações e reflexões. Além, de encontrar certo otimismo do diretor, ao defender que para um amor ser de verdade tem que haver um grau de fantasia e magia.

Eu recomendo assistir diante daquela máxima: é bom mesmo um filme ruim de Woody Allen. E também gostei da história, dos personagens e atores, das questões apresentadas e dos diálogos.

Bom filme.

Minha opinião 
:]

quinta-feira, 12 de maio de 2016

20º Cultura Inglesa Festival

Bromance/Crédito: Chris Nash
Cultura Inglesa Festival comemora 20 anos em 2016 e traz para São Paulo o melhor das culturas brasileira e britânica, de 26 de maio a 12 de junho. Realizado anualmente pela Cultura Inglesa, o evento de arte e entretenimento terá como tema central a British Invasion, movimento de artistas britânicos que causou uma revolução cultural, lançando tendências de música e comportamento a partir da década de 60.

A primeira invasão começou com os Beatles, que dominaram as paradas de sucesso nos Estados Unidos e no mundo, abrindo portas para outros artistas do Reino Unido, como Rolling Stones, Queen, Iron Maiden, The Cure, Oasis, até os mais recentes, Kaiser Chiefs, Amy Winehouse e Adele. Os 18 dias de evento trazem para São Paulo uma programação diversificada e gratuita com shows, mostras de cinema, exposições, atividades infantis e espetáculos de teatro e dança. Entre os principais destaques desta edição estão: a exposição interativa British Invasion Experience, que levará o público a um passeio histórico pela música britânica, o aguardado show de encerramento com os ingleses do Kaiser Chiefs, mostras de cinema com o melhor das produções britânicas, como o documentário Amy, vencedor do Oscar em 2016, e The Lobster, premiado em Cannes.

Além disso, o Festival tem espetáculos de teatro nacionais e internacionais, com destaque para o retorno do grupo Barely Methodical Troupe com seu prestigiado espetáculo performático Bromance, sucesso absoluto de público na última edição do Cultura Inglesa Festival.

Mais informações, no site da www.culturainglesasp.com.br/cif

Serviço 
20º Cultura Inglesa Festival: de 26 de maio a 12 de junho de 2016
Entrada Gratuita

terça-feira, 15 de março de 2016

Um Bonde Chamado Desejo (ou chamado Maria Luisa Mendonça)

Como é bom assistir um bom texto teatral com uma impecável produção, direção e atores entregues, com muita competência, em seus personagens. A nova montagem de Um Bonde Chamado Desejo do dramaturgo de Tennessee Williams é vigorosa e extremamente bem construída pelo diretor Rafael Gomes, usufruindo das várias nuances de Blanche DuBois e Stanley.

Tendo como ponto de partida a montagem em um teatro de arena, do TUCARENA, o espetáculo usufrui do jogo de cena entre atores, estando todos o todo tempo em cena. Com uma caixa claustrofóbica no centro e na a amplitude da sala temos o reflexo da relação de dois mundos muito diferentes retratados no texto de Blanche e Stanley. Isso torna ainda mais eficiente e plástica a montagem.

O elenco está afinadíssimo, principalmente Maria Luisa Mendonça que, sem dúvida, deve levar boa parte dos prêmios de melhor atriz do ano. Sua Blanche sonhadora, ora ingênua ora louca, é simplesmente imperdível. Du Moscovis como Stanley é uma boa surpresa na montagem.

Como Um Bonde é um clássico e, para quem não sabe, mostra a relação conflituosa entre Blanche e seu cunhado, Stanley, revelando a dicotomia entre sonho e realidade, alma e corpo e por aí vai. Foi escrito por Tennesse a partir da suas próprias e complicadas relações pessoais e familiares. Em alguns momentos, é difícil saber para quem "torcer". Mas, ainda, por incrível que pareça, me cativa pensar num mundo mais sonhador de Blanche e menor duro de Stanley.

No mais, é um espetáculo necessário e que deve ser comprado com bastante antecedência. Ah, Juliano Cazarré assumi Stanley a partir de 1 de abril.

É teatro de primeira e é muito bom saber que eles ainda existem!


UM BONDE CHAMADO DESEJO
Teatro Tucarena (300 lugares)
Rua Monte Alegre, 1024 (entrada pela Rua Bartira) – Perdizes
 Informações: 3670.8455 / 8454
Bilheteria: de terça a sábado, das 14h às 19h.
Estacionamento conveniado: R$ 14 (Rua Monte Alegre, 835/ mediante apresentação do ingresso do espetáculo).
Sexta às 21h30 | Sábado às 21h | Domingo às 18h 
Ingressos: Sexta R$ 50 | Sábado e Domingo R$ 70
 Duração: 110 minutos

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A GAROTA DINAMARQUESA

Eddie Redmayne está incrível em A Garota Dinamarquesa, ao lado de Alicia Vikander que interpreta sua esposa. Mesmo sendo uma história contada sem sobressaltos e com todas as características inerentes a uma produção tipicamente hollywoodiana, as interpretações vale o ingresso.

Ao contar a história real de Lili Elbe (Redmayne) que nasceu Einar Mogens Wegener, "descobrindo-se" durante uma brincadeira com a esposa (Vikander), o filme retrata a difícil questão da identidade de gênero.

Saí da sala impressionado com as interpretações e torceria para Redmayne levar mais um Oscar de Melhor Ator pela sua construção perfeita da personagem. Mas, é a vez de DiCaprio, certo? Assim, em A Garota foquemos na belíssima fotografia e figurino e quem sabe Alicia leve o Melhor Prêmio de Atriz Coadjuvante?

O roteiro é tradicional e não foge de uma narrativa linear. Gostei também das cenas secas, sem sonoplastia, deixando que a emoção flua das interpretações.

Não acredito que seja, por sua vez, um filme que levanta alguma bandeira, mas traz a questão da identidade de gênero e nos deixa reflexivos, ao percebermos que não se trata de uma novidade. E, também, como avançamos, pelo menos, no âmbito da psicologia no entendimento dessa questão e outras adjacentes.

Não perca o filme!

Minha Opinião
:D

O REGRESSO - Pre-pa-ra!


O Regresso é um filme para os fortes, são 150 minutos de muito sofrimento. Fiquei com a sensação que o personagem Hugh Glass, interpretado por Leonardo DiCaprio, é quase o Coiote do Papa-Léguas. Quando você pensa que agora vai, lá vem uma avalanche sobre o pobre do rapaz...

Sem dúvida, o diretor Alejandro González Iñárritu acerta mais uma vez e o filme tem todas as condições de levar várias estatuetas do Oscar de 2016. Primeiro, pela produção em si  e sua realização. A proposta de fazer toda a filmagem apenas com luz natural é impressionante e traz vigor aos cinéfilos. Assim, cada cena parece única e sem muitos cortes.

Também a sequência inicial que é feita em apenas um take é impressionante e reforça a linguagem proposta em Birdman que levou o melhor filme em 2015.

Já está claro, e espero não ter surpresas, parece mesmo que DiCaprio leva o Oscar de Melhor Ator este ano. A interpretação dele é boa, mas leva o prêmio mais pela entrega ao personagem. São poucas as suas falas e, sinceramente, para mim Eddie Redmayne, mais uma vez, está muito bem melhor em sua Lili do que Leonardo. Porém, reconheço que chegou agora do rapaz. Ele deu duro!

O Regresso é filmão. Vale a pena ser assistido pela sua magnitude e capacidade plástica. O roteiro é bem amarrado, apesar da sensação Coiote, acima defendida. A interpretação de DiCaprio vale a pena ser conferida. E tem tudo para levar um Oscar, mesmo que a crítica aposte que não leve de melhor filme para não deixar Iñárritu sem lugar para guardar mais uma estatueta.

Minha Opinião
:)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos - o musical

Assistir o musical Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos é uma imersão em dois universos: primeiro deles, de Almodóvar, por se tratar de um filme lançado em 1988 e que mudou para a linguagem de musical em 2010 nos palcos da Broadway; segundo, de Miguel Falabella que sabe muito bem retratar o universo feminino e tem um olhar caricato da realidade.

Por um palco rotativo as cenas são apresentadas e os núcleos vão se centrando na história de Pepa (Marisa Orth, sempre ótima!), uma dubladora de filmes que acaba de ser deixada por Ivan (Juan Alba). Por sua vez, ele abandonou Lúcia (Totia Meireles, uma boa surpresa do espetáculo) com um filho e após vinte anos ela decide levá-lo à justiça. E para fechar o picadeiro, a melhor amiga de Pepa, Candela (Helga Nemeczyk), se apaixona por uma terrorista.

É um espetáculo bonito de se ver que aposta em bons figurinos e na movimentação frequente dos atores. A dramaturgia é boa e os atores defendem seus personagens com competência, cantam e interpretam muito bem. É um excelente entretenimento, porém, não é uma daquelas mega-produções.

Fiquei um pouco decepcionado com a lentidão do primeiro ato, pensei que não conseguiria sobreviver a mais um. Mas, vale a pena esperar pelo segundo ato.

A reflexão sobre a busca, socialmente imposta, da mulher pela felicidade a partir de uma relação amorosa é o ponto condutor do texto. Recomendo assistir para quem realmente quer rever um pouco daquele Almodóvar de anos atrás, sob o olhar de Falabella. Por isso, o clima pastelão para esse dramalhão nos leva a boas gargalhadas. Vale ver!

Bom espetáculo.

Minha Opinião:
:]

MULHERES À BEIRA DE UM ATAQUE DE NERVOS 
qui. e sex., às 21h,
sáb., às 17h e 21h,
dom., às 16h
14/11 a 20/12 e de 7/1 a 14/2/2016
Teatro Procópio Ferreira, r. Augusta, 2.823.
(11) 3083-4475
 R$ 50 a R$ 200
CLASSIFICAÇÃO 12 anos