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15 de abril de 2015

A Cabeça do Santo - Blog e-Urbanidade

Livro A Cabeça de Santo
O livro A Cabeça do Santo tem tudo, ou quase tudo, para ser uma destas leituras deliciosas. Escrito por Socorro Acioli, cearense, após participar de uma oficina literária com Garcia Marquez, a obra tenta, de alguma forma, encostar naquele mundo fantástico, iconizada pelo autor colombiano.

O livro conta a história de Samuel, que parte para a cidade de Candeia para cumprir o último pedido e promessa feita a mãe: encontrar a avó e seu pai. Chegando lá, a avó o rejeita e vai morar dentro da gigantesca cabeça de santo Antônio, onde começa a ouvir vozes e passa a realizar alguns "milagres".

Uma série de personagens são apresentados, porém apenas nas últimas páginas parecem mesmo fazer sentido o tema principal do livro: o reencontro. A redenção do personagem principal parece se tornar apenas um final feliz, meio perdido diante dos elementos e histórias construídas.

Para ser sincero, gostei bastante do início do livro. Me senti um pouco nos universos de Garcia Marques, Dias Gomes e, nas peripécias atrapalhadas de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto. Mas, reconheço que o livro deixa muito a desejar quando a autora precisa tomar partido, com coragem, para o realismo fantástico ou apenas para o realismo. Ela fica em cima do muro! E os personagens são mal construídos e um pouco chapados, sem outras dimensões.

Irritou-me, bastante, quando em certo momento sai o pai do rapaz dentro de um buraco, após anos ali. Decepciona, deixando o livro muito mais palatável no seu miolo do que na finalização do conflito.

Recomendo a leitura, sem muita expectativa, por ser uma escritora contemporânea brasileira, que foi beber da fonte de Rulfo e García Márquez, trazendo para sua obra a riqueza, mas não inédita, do universo nordestino e a religiosidade e sincretismo brasileiros.

A Cabeça do Santo
Socorro Acioli
Companhia das Letras

24 de novembro de 2014

O Pintassilgo - Blog e-Urbanidade

Capa de O Pintassilgo
Li o contravertido e comentado O Pintassilgo da escritora americana Donna Tartt. Cheguei ao livro por mais uma sugestão do Clube de Livro da Cia das Letras e após vê-lo exposto em algumas livrarias. Apenas fiquei sabendo da "polêmica" da obra após buscar no Google algumas orientações e curiosidades para escrever minha resenha aqui no blog e encontrei um mundo a parte, tão interessante quanto a história de Theo.

A história é longuíssima, são 792 páginas com cenas detalhadas, desde elementos externos a sentimentos do herói. Com cara de épico, conta a história de Theo Decker que sobrevive a uma explosão a um museu de NY, perdendo sua mãe no acidente. No meio da confusão, leva consigo o quadro Pintassilgo do holandês Fibritius (de 1640) que o acompanhará a partir daí.. Sendo os pais separados, fica por alguns dias na casa de uma família abastarda, próximos da falecida mãe, porém é levado inesperadamente para Las Vegas e vai morar com o pai e sua nova esposa. Lá conhece seu amigo para toda a vida, o louco-louco Boris. Adolescente, passa a usar todas as drogas possíveis e imagináveis. Com a morte do pai, volta para o Estados Unidos e passa a morar com antigo amigo, Hobie, dono de um antiquário.

É dado um salto no tempo, agora responsável pela área comercial do antiquário e começa a se envolver em várias "encrencas". Boris reaparece e um casamento ajeitado vem por ai. E assim, acontece a redenção de Theo, diante do seu pessimismo em relação a vida.

Gostei muito das reflexões do personagem, principalmente ao final do livro. A autora nos leva a bons momentos com sua narração que é tocante, muitas vezes. Em certo momento - e antes de ler qualquer resenha - me lembrei de Copperfield de Dickens: o ritmo da narrativa e o pessimismo do personagem central.

Pega um pouco a extensão e o detalhamento de tudo. Tive muita vontade de deixar a leitura pelo meio. Reconheço! Também o personagem principal não realiza quase nada, ou melhor, é simplesmente um reflexo do acaso. Se pensar bem, nada na história ele faz de verdade, sempre está sendo levado pelas pessoas...

Porém, quando terminei de ler O Pintassilgo, agora empolgado com o grand final, partir a procurar algumas coisas sobre a autora na internet e encontrei um outro mundo a parte. Em seu terceiro livro, Donna é considerada por alguns um gênio, por outros, uma fraude. Não tenho condições de entrar nisso, se trata-se, por exemplo, de um romance ou não e blablabla de críticos e literatos. Aliás, sempre a "academia" teve certo problema com livros bem sucedidos.

Não achei a oitava maravilha do mundo, mas é um ótimo livro. Por isso levou o Pulitzer deste ano, vendeu 1,5 milhão de cópias nos EUA e ficou mais de 40 semanas entre os mais vendidos do New York Times. Não deixei o livro porque fiquei curioso em saber o final da história daquele garoto, adolescente e, por fim, adulto Theo. Tocou-me muito a reflexão sobre a vida, a temporalidade, a prisão (retratada na metáfora do pássaro pintassilgo na obra de Fibritius) e o amor. As últimas páginas são mesmo te arrepiar, pena que demoram tanto para chegar, mas vale muito a leitura.


26 de junho de 2014

Orlando de Virginia Woolf - Blog e-Urbanidade

Orlando
Dentro daquela proposta de ler alguns clássicos entre uma leitura e outra e seguindo a sugestão do Clube do Livro da Cia das Letras do Conjunto Nacional SP, atrevi-me a investir em Orlando da autora Virginia Woolf. Há um tempo comprei um daqueles boxes com quatro volumes da autora inglesa e não consegui passar do primeiro. Vendi ao me decidir a desapegar às estantes lotadas e cair definitivamente na onda dos livros digitais do Kindle. Introdução desnecessária feita, o que importa é que li Orlando e não consegui odiar. Até em dias de jogos da Copa me prendi no quarto para finalizar algum capítulo do volume. Ah, também, revi o filme As Horas na tevê a cabo para entender ainda mais o universo desta autora enigmática.

Não vou me atrever a fazer uma resenha do livro, pois melhores estão por ai, até porque Virginia Woolf já foi traduzida no Brasil por nada mais e nada menos do que Cecília Meireles e deve ser tema de muitas discussões em cursos de literatura pelo mundo a fora. Mas, vamos lá: o livro começa a narrar a história de Orlando, um rapaz aristocrata de 16 anos, após a morte dos pais se torna protegido da rainha Elizabeth I. Em seguida, se apaixona por uma princesa russa e vive um romance com todas as tintas, e divagações, necessárias.

Sacha, a princesa russa, o abandona e como forma de fuga, pede para ser nomeado embaixador e segue para Constantinopla. Em seguida, cai num sono profundo e acorda como mulher. Isso mesmo! E como Lady Orlando a autora nos leva a uma série de discussões sobre o papel da mulher e como tudo muda a partir desta "transformação". E para arrematar, ela se apaixona por Shelmerdine, um sujeito sedutor e másculo e, em outra viagem no tempo, acorda em 1928, com 36 anos. Mas, não estranhe, ela viveu exatamente 300 anos.

Mesmo que toda esta história pareça muito estranha, alinhava tudo isso a relação de Orlando com seu livro de poesias chamado de Carvalho. Assim, o que torna o livro realmente muito interessante são os encontros de Orlando, por exemplo, com grandes nomes da literatura e as reflexões do autor - já explico melhor isso - com o tudo que o cerca, desde questões prática da vida às metafísicas, como a vida, vida após a morte, felicidade, tristeza, orgulho e por ai vai.

Virgina se coloca como uma biógrafa da história de Orlando e assim se apresenta várias vezes, inclusive em alguns momentos ela corta a narrativa para mostrar, por exemplo, os jardins ou a natureza, pois a vida do biografado está, segundo ela, sem novidades. Sinceramente, achei isso genial e de um devaneio impressionante!

Sugiro sim a leitura, com paciência e com um marcador na mão, pois são várias as boas e inteligentes reflexões da autora. Seguem alguns:

O pensamento e a vida são como lados opostos. 

Não existe paixão mais forte, no peito humano, que o desejo de fazer outros acreditarem naquilo que se acredita. Nada corta tanto a nossa felicidade pela raiz, ou nos enche mais de raiva, do que o sentimento de que outro desvaloriza o que temos em alta conta.

As ilusões sã para a alma o que a atmosfera é para a terra

Boa leitura!


14 de agosto de 2013

Digam a Satã que o Recado Foi Entendido - Blog e-Urbanidade

Digam a Satâ que o Recado
Foi Entendido
Mais um daqueles livros que nunca leria se não fosse recomendado pelo Clube de Leitura do Conjunto Nacional. Desta vez me deparei com uma leitura inusitada: Digam a Satã que o Recado foi Entendido do jornalista-escritor Daniel Pellizzari.

Vindo da Série Amores Expressos - projeto criado pela editora Companhia das Letras que levou há seis anos, 17 escritores brasileiros a 17 cidades do mundo para que escrevessem histórias de amor – Digam a Satã trata-se de uma história ambientada em Dublin, na Irlanda, e tem um humor despretensioso e inesperado.

Nas páginas desenrola uma narrativa contada por seis personagens diferentes. Na orelha do volume diz tratar-se da saga de alguns amigos que possuem uma agência de turismo especializada em locais mal-assombrados que não existem na Irlanda. Porém, infelizmente isso não é muito bem entregue ao leitor. Decepciona.

Para ser bem honesto, gostei de Digam a Satã que o Recado Foi Entendido e fiquei com a sensação que o autor tinha uma proposta totalmente despretensiosa mesmo, por isso aceitável. Em algumas críticas que li diz que o Pellizzari tem a proposta de fazer uma escrita polifônica, ou seja, com vários narradores. Mas, os personagens se parecem muito entre si e, principalmente, as mulheres não são bem construídas. Mesmo assim, dei uma boa gargalhada quando é revelada a verdadeira “identidade” de uma delas. (A palavra não seria “identidade”, mas usarei para não estragar a surpresa).

Não sei se vou ler outros livros da coleção que tem sido criticada no meio editorial por privilegiar nomes nacionais de um círculo fechado (vulgo “panela”), mas se está a fim de dar boas gargalhadas, com um autor brasileiro, com humor fino e inteligente, recomendo adquirir o livro. E vá, sem grandes expectativas.

Serviço do livro, clique aqui.

3 de julho de 2013

O Grande Gatsby - o livro - Blog e-Urbanidade

Livro O Grande Gatsby
Por mais uma indicação do Clube do Livro da Cia da Letras cheguei ao O Grande Gatsby, clássico da literatura norte-americana e que acaba de ganhar mais uma adaptação para o cinema, com Leonardo de Caprio. Filme que ainda não assisti, mas pretendo ver nos próximos dias.

A história é de um rapaz misterioso, riquíssimo, que faz grandes festas na sua mansão no anos 20, nos Estados Unidos. Repleto de luxo, as reuniões recebem a nata da sociedade, cheias de muito champanhe e badalações. Lá pelas tantas, descobrimos, sempre a partir do ponto de vista do narrador, o vizinho Nick, que o objetivo de Gatsby é de trazer até perto de si uma paixão antiga, Daisy. Mulher que o deixou por causa de um homem rico. E é assim, com opulência que ele acredita fazer com que ela volte a olhar para si.

Sinceramente, digo que não fiquei tão encantado com O Grande Gatsby. Meus amigos do Clube elogiaram muito e talvez se deva a minha impossibilidade de não ter visto o filme. Mas, sei que o autor Fitzgerald tem grandes qualidades na sua forma de escrever, ou seja, pela forma simples, sem grandes rebuscamentos, para contar uma história de amor. Tudo isso para nos mostrar como os indivíduos podem colocar para segundo plano o amor e outras coisas importantes em função da riqueza e do dinheiro. O grande achado do autor é de escrever sobre a podridão da sociedade norte-americana antes da depressão de 1929 e com um povo encantado com a riqueza do seu país.

Discordei do fim trágico do livro, mas meus colegas acharam certeiro. Pensando bem, e agora com mais cautela, o fim de Gatsby vem retratar a grande teoria do autor, ou seja, a decadência moral de um povo encantado com o brilho e o dourado dos bailes.

Recomendo sim, o livro. É rápido, lindo e com algumas boas tiradas. E agora, lá vou eu ao cinema!

3 de janeiro de 2013

Barba Ensopada de Sangue - Daniel Galera - Blog e-Urbanidade

Barba Ensopada de Sangue
Mais um livro chega as minhas mãos pelo Clube de Leitura da Companhia das Letras que acontece aqui no Conjunto Nacional. Para dizer a verdade, até então, não tinha nenhum interesse pela obra e foi só ser apresentada que percebi o monte de volumes na porta de várias livrarias e com chamadas de até de uma página em algumas revistas brasileiras.

Diante disso, parecia que a leitura seria das melhores, mas me decepcionei um pouco com o livro. Aliás, até agora fico pensando onde o autor gostaria de chegar ou se não poderia fazer tudo de uma forma menos longa.

Muita gente tem elogiado Barba Ensopada de Sangue, alguns têm apostado que se trata de um grande escritor nacional que vem se despontando, eu não duvido de nada disso, mas não encontrei um livro marcante. Sem dúvida, a forma como o autor desenvolve os diálogos e caracterização dos personagens seja o maior trunfo ao criar uma obra, diria, inovadora.

Barba Ensopada de Sangue conta a história de um rapaz com um problema neurológico: não consegue gravar a fisionomia das pessoas. Para isso, usa dos mais variados artifícios para lembrar das pessoas que gosta e da sua própria fisionomia. Diante do suicídio anunciado do pai, a perda do seu grande amor levado pelo próprio irmão e ao ter herdado uma cachorrinha que deveria ter sido morta – de acordo com a promessa feita em vida ao pai -, este sujeito parte para Garopada, interior de Santa Catarina, para fazer novos amigos e reconstruir sua história. Bem, pelo menos eu acho que era isso.

Como disse acima, a forma como autor apresenta alguns diálogos e não usa símbolos como de travessão, vírgula ou itálico para separar o que é fala e ação, parece ser inquietante. Por exemplo, alguns diálogos, entre vários personagens, são descritos em um só parágrafo em duas ou três páginas. Tentei descobrir um pouco da lógica do autor, mas não tive muito êxito.

Outro ponto que vale a pena destacar em Barba Ensopada de Sangue é a criação dos personagens que não deixa de ser rica e muito bem feita. Algumas discussões sobre a religião, a existência, o budismo e até mesmo sobre como viver em São Paulo, não deixam de deixar claro o talento do escritor.

Não sei se recomendo. Alguns o classificaram com um épico, bem!, acho que é por aí. Mas, não gostei muito. Senti um pouco irritado em muitas partes por não saber onde o autor estava querendo ir ou nos levar. Se era pela história do pai morto, do avô assassinado ou do amor perdido. Também, não consegui entender a “redenção” ou o “ganho” do personagem ao ler a última palavra. Porém, tem muita gente elogiando por ai e muita propaganda em jornal e revista.

22 de novembro de 2012

Os Enamoramentos - Blog e-Urbanidade

Livro Os Enamoramentos
Qual é o estado de enamoramento? Tem algo a ver com namorar? É próximo de apaixonar? Sim, foram essas e muitas outras perguntas que fiz ao concluir a Os Enamoramentos do autor espanhol Javier Marías.

Javier nos leva ao mundo e diretamente pelo olhar de Maria, uma moça solitária que trabalha numa editora, a observar um casal que se encontra diariamente em um café frente ao seu trabalho. Observá-los torna uma obsessão, o que poderia ser desinteressante, a prende, segura e “disso provimos todos, produtos da casualidade e do conformismo, dos descartes e das timidezes e dos fracassos alheios, e mesmo assim daríamos qualquer coisas às vezes para continuar junto de quem resgatamos um dia de um sótão ou de um leilão, ou triamos à sorte nas cartas ou nos recolheu dos detritos, inverossimilmente conseguimos nos convencer dos nosso furtuitos enamoramentos, e são muitos os que creem ver a mão do destino no que não é mais de uma rifa de vilarejo quando o verão já agoniza...”(pag. 126)

Um pouco pessimista, mas talvez este olhar meio desatento é que faz nascer as paixões e acredito que seja esta a aposta de Javier ao escrever este romance muito interessante, às vezes, bem difícil de ler, por causa das inúmeras divagações da personagem principal, mas no fim, nos apresenta , meio de relance, como deve ser todo enamoramento.

Escrito em primeiro pessoa, algumas pessoas defendem que o autor poderia resumir um pouco mais a história, o que discordo. Falo isso, “dessas pessoas”, porque cheguei ao autor graças ao Círculo de Leitura da Cia das Letras que acontece aqui no Conjunto Nacional e falaram isso lá. O que me impressionou, aqui como pretenso escritor, é como em poucas ações esta obra foi construída e tantas subjetividades reveladas. E digo até, boas e poucas reflexões sobre amor, enamoramentos, morte, a temporalidade e a rapidez de nossa existência. O que torna um pouco cansativo, é que o autor, por muitos parágrafos e até páginas, se dedica a escrever sobre o que a personagem acha que os outros poderiam estar falando ou pensando sobre algo, nascendo assim uma verdade: nosso mundo é construído mesmo dentro da nossa subjetividade.

Recomendo a leitura, gostei muito, mesmo amargando em algumas páginas e querendo pular alguns capítulos. Bobagem, pois como disse, não acontece muita coisa, mas fazendo isso pode-se perder toda a construção lógica e literária do autor sobre este estado estranho de se enamorar por alguém. Portanto, compre, leia com calma e tente responder aquelas perguntas lá em cima ou outras, afinal para que serve prestarmos tanto atenção no mundo dos outros, como fazia Maria?


Os Enamoramentos
Companhia das Letras 
Páginas. 344
Algumas citações:
Mais de 200 mil exemplares vendidos na Espanha, Alemanha e Holanda.
Prêmio Europeu de Literatura em 2011
“Melhor livro de 2011.” - Babelia
“O melhor Marías.” - El País
“Seu romance Os enamoramentos mostra de novo - Javier Marías é um dos Grandes. É de se desejar que o romance tenha um grande público: há tanto para aprender com Marías, pois ninguém conhece a humanidade como ele.” - Die Zeit